Ciranda Guerreiros Mura abre festival de Manacapuru
A Guerreiros Mura promete um espetáculo grandioso, com 90 pares de cirandeiros no cordão principal
Dassuem Nogueira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 29/08/2025 às 12:57 | Atualizado em: 29/08/2025 às 12:57
A Guerreiros Mura traz o espetáculo “Estiagem e alagação: o segredo das águas” para abrir o Festival de Ciranda de Manacapuru nesta sexta-feira, 29 de agosto.
O espetáculo terá como base conceitos técnicos e científicos para explorar o fenômeno de descida e subida das águas, bem como as relações de produção agroextrativista dos ribeirinhos com as estações dos rios.
Também se apoiará no pensamento caboclo sobre o tema, como as terras caídas das barrancas na enchente que são atribuídas ao movimento das cobras grandes, entidades espirituais que protegem terras e águas na Amazônia.
A Guerreiros Mura promete um espetáculo grandioso, com 90 pares de cirandeiros no cordão principal.
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A mais temida da região
O nome da ciranda é uma referência ao povo indígena mura, cujo território originário é próximo a Manacapuru, no município de Autazes.
Os muras encenam um dos principais capítulos da Amazônia colonial. Eles figuraram por 70 anos como maior resistência à colonização, no século 17.
A disputa entre os muras, do rio Madeira, os mundurukus, do rio Tapajós, e os portugueses, pela região entre esses dois grandes rios, ocupou os últimos 30 anos desse século.
Na negociação pela paz com os portugueses, uma das regiões escolhidas pelos muras como território de assentamento foi a conhecida, até hoje, como Pesqueiro, no município de Manacapuru, justamente pela fartura do local.
Manacapuru, aliás, teria sido o nome de uma temida líder mura.
Os torcedores da Guerreiros Mura evocam a força guerreira desse povo e a chamam de “a mais temida da região”.
Os cirandeiros sempre usam como referência as posições de guerra dos povos indígenas, batendo forte os pés no chão com marcação tribal.
Os muras da Liberdade
A mais temida é também a maior vencedora, com 12 títulos, em apenas 33 anos de existência, sendo a mais nova entre as três cirandas.
As rivais são Tradicional e Flor Matizada.
O ponto de referência para os festejos dos guerreirenses é uma pequena praça conhecida popularmente como Encontro dos Amigos, no bairro da Liberdade.
É uma encruzilhada, no coração da Liberdade, conhecido por reunir a boêmia do bairro o ano inteiro.
O local fica a cerca de 30 metros da escola municipal José Motta, onde a ciranda foi criada.
Orgulho de ser pitiú
O bairro da Liberdade nasceu de uma ocupação, na década de 80. Seus primeiros moradores eram pescadores, peixeiros e trabalhadores da famosa feira do bairro, muito frequentada até hoje
Torcedores da Flor Matizada começaram a provocar os simpatizantes da Guerreiros Mura, chamando-os de pitiú, o cheiro típico dos peixes, tentando diminuí-los de modo classista.
Contudo, o termo foi positivado pela torcida e os guerreirenses passaram afirmar que são “pitiú com orgulho”.
A feira do bairro da Liberdade, aliás, é um dos locais de gravação do filme “O último azul” (2025), que está na disputa com outros filmes nacionais para representar o Brasil no Oscar 2026.
O festival começa às 21h, no parque do Ingá, com transmissão da TV A Crítica.
Foto: Foto Euzivaldo Queiroz
