Sob controle chinês, empresa nega explorar urânio na mina do Amazonas
Empresa afirma que mineral é resíduo e cita descarte conforme a lei. Leia nota
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 29/08/2025 às 11:55 | Atualizado em: 29/08/2025 às 11:55
A Mineração Taboca, responsável pela mina do Pitinga, no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas, e controlada desde 2024 pela estatal chinesa China Nonferrous Metal Mining Group (CNMC), negou nesta sexta-feira (29 de agosto) que explore ou comercialize urânio.
O BNC Amazonas publicou diversas reportagens em primeira mão sobre a venda da mineradora e os riscos envolvendo o recurso, considerado estratégico e de uso exclusivo da União.
O mais recente destaque foi a negativa formal da empresa, enviada ao site nesta sexta-feira, em meio a questionamentos judiciais e políticos.
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O que diz a Taboca
– Não vende, processa ou transfere urânio, afirmando que o mineral, presente naturalmente na rocha, é resíduo descartado conforme normas legais.
– Mantém licenças para explorar tantalita-columbita e cassiterita, ligadas à produção de estanho, tântalo e nióbio.
– Afirma que a mudança de controle permitirá investimentos em tecnologia e sustentabilidade.
– Reitera compromisso com o meio ambiente e disposição para prestar esclarecimentos à Justiça federal.
Leia a nota, na íntegra
“A Mineração Taboca informa que a transação comercial de mudança do controle acionário da empresa foi concluída em março de 2025. A empresa passou a fazer parte do grupo China Nonferrous Trade Co. Ltd., subsidiária da China Nonferrous Metal Mining Group Co. (CNMC), com a devida aprovação dos órgãos reguladores competentes,
A transação não altera a atividade que vem sendo exercida na área ao longo dos últimos anos. Permitirá, dentre alguns aspectos, que a Mineração Taboca tenha a oportunidade de fazer investimentos em tecnologias mais modernas que servirão a aprimorar sua atividade em diversas frentes, inclusive da sustentabilidade.
A empresa possui as concessões de lavra e respectivas licenças ambientais para explorar minério de tantalita-columbita e cassiterita, ligadas à produção de estanho e ligas ferrosas compostas por tântalo e nióbio, e cumpre rigorosamente todas as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
A Mineração Taboca não vende ou transfere urânio, uma vez que, de acordo com a lei brasileira, trata-se de recurso de uso exclusivo da República Federativa do Brasil, que não pode ser usado ou explorado para qualquer finalidade por terceiros.
O que ocorre, em breves linhas, é que a Mina do Pitinga (AM) é caracterizada como uma mina poli metálica, ou seja, existem diversas substâncias presentes na rocha.
Após o processo de beneficiamento do minério, onde são extraídas a tantalita-columbita e a cassiterita, o urânio, juntamente com outros minerais, não é recuperado nem processado. Trata-se de resíduo do processo, descartado de acordo com as leis e regulamentos aplicáveis.
A Mineração Taboca reitera seu compromisso com o meio ambiente e prestará os esclarecimentos devidos à justiça federal do Amazonas, em espírito contínuo de cooperação”.
Debate geopolítico
Apesar da negativa, o controle da mina do Pitinga por uma estatal chinesa mantém o Amazonas no radar internacional.
O urânio e as terras raras presentes no local são estratégicos para a indústria e defesa, gerando discussões sobre soberania, segurança ambiental e aplicação da legislação brasileira.
Foto: Manu Dias/Agecom
