Deputados milionários decidem se taxam eles mesmos
Isenção do IR até R$ 5 mil pode naufragar diante da resistência de deputados mais ricos que a média dos brasileiros.
Publicado em: 28/08/2025 às 17:35 | Atualizado em: 28/08/2025 às 17:35
O projeto de isenção de Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, considerado uma das principais bandeiras sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode se transformar em um grande obstáculo político para o Palácio do Planalto. A proposta, que prevê compensação por meio do aumento da taxação para quem ganha acima de R$ 50 mil mensais, encontra forte resistência na Câmara dos Deputados, onde a maioria dos parlamentares possui patrimônio muito superior ao da média da população brasileira.
De acordo com estudo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia – Representação e Legitimidade Democrática (INCT/ReDem), cada deputado declarou, ao se candidatar, patrimônio médio de R$ 3 milhões — valor 62 vezes maior que a média nacional de R$ 47,7 mil.
A concentração da riqueza dentro do próprio Legislativo reforça as dúvidas sobre a aprovação de medidas que onerem os mais ricos.
Segundo o cientista político Fábio Vasconcellos, dados recentes apontam que 46% dos parlamentares se opõem à maior taxação dos super-ricos, enquanto 44% apoiam a proposta.
Já projetos considerados prioritários pelo Executivo, como a limitação dos supersalários e o fim da escala 6×1, também enfrentam rejeição expressiva na Casa.
A oposição estuda a possibilidade de aprovar apenas a isenção para os mais pobres, sem aumentar os tributos sobre os mais ricos, o que inviabilizaria a política de “justiça tributária” defendida pelo governo. Caso essa manobra prospere, o impacto no Orçamento poderá ser significativo.
O cenário é agravado pela própria composição socioeconômica da Câmara, que distancia representantes de representados.
A disparidade de patrimônio entre parlamentares de diferentes espectros ideológicos também é evidente: os deputados de direita possuem, em média, o dobro de bens em relação aos de esquerda.
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Diante desse contexto, o governo Lula enfrenta não apenas uma batalha econômica, mas também política, em um ambiente legislativo onde os interesses pessoais e patrimoniais podem pesar contra a aprovação de medidas que beneficiem as camadas mais pobres da sociedade.
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Foto: Roque de Sá/Agência Senado
