PF indicia 5 servidores do Amazonas por crimes eleitorais em Parintins

Conclusão de inquérito aponta uso da máquina pública e conluio com facção criminosa para favorecer candidatura de Brena Dianná em 2024.

Publicado em: 27/08/2025 às 19:05 | Atualizado em: 27/08/2025 às 19:07

A Polícia Federal divulgou neste dia 27 de agosto que concluiu o inquérito da operação Tupinambarana Liberta e indiciou cinco servidores do Governo do Amazonas por suposto envolvimento em um esquema de manipulação das eleições a prefeito de Parintins, em 2024.

Segundo a PF, a investigação confirmou que estruturas do estado, incluindo forças policiais, foram utilizadas para beneficiar a candidatura de Brena Dianná (União Brasil) à prefeitura. 

A investigação apontou também conluio desse grupo com integrantes de uma facção criminosa nacional.

Os indiciados não tiveram os nomes divulgados pela polícia.

Conforme o indiciamento à Justiça, os servidores respondem por crimes como associação criminosa, corrupção eleitoral, abolição do Estado Democrático de Direito, uso de violência para obtenção de votos e impedimento de propaganda eleitoral.

De acordo com a PF, o grupo chegou a monitorar rivais políticos e deslocamentos de agentes federais para tentar frustrar operações de fiscalização no município.

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Como tudo começou

O caso começou em setembro de 2024, após denúncia do Ministério Público Eleitoral em Parintins. 

O órgão apontou ameaças de líderes comunitários ligados ao crime organizado, restringindo o acesso de candidatos adversários a bairros e localidades inteiras.

Agentes públicos teriam se omitido em coibir essas ameaças e, em alguns casos, colaborado com a intimidação, sempre em benefício da chapa apoiada pelo grupo investigado.

O vídeo que escandalizou

Em agosto de 2024, o episódio ganhou repercussão nacional com a divulgação de um vídeo que mostrava secretários estaduais e oficiais da Polícia Militar discutindo estratégias para favorecer Brena Dianná. 

O material motivou ações na Justiça eleitoral e um inquérito civil do Ministério Público do Estado (MP-AM) por improbidade administrativa e abuso de poder político.

Atendendo às recomendações do MP-AM, o governador Wilson Lima exonerou secretários e dirigentes citados no caso, além de retirar comandantes da PM de funções operacionais. 

À época, o governo ressaltou que as medidas buscavam preservar a lisura das investigações.

O que disse Brena Dianná

A coligação de Brena negou qualquer ligação da candidata com o caso e disse que o vídeo tinha “origem desconhecida e conteúdo duvidoso”. 

A Justiça eleitoral chegou a determinar a retirada do material de redes sociais e proibiu novas publicações associando a imagem da candidata ao conteúdo.

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Linha do tempo do caso

  • Agosto/2024 – Divulgação de vídeo com secretários estaduais e oficiais da PM discutindo suposto favorecimento a Brena Dianná.
  • Setembro/2024 – Denúncia do MP Eleitoral dá início à investigação da PF; Justiça suspende entrega de cestas básicas e afasta cúpula da PM em Parintins.
  • Outubro/2024 – PF deflagra operação Tupinambarana Liberta, cumprindo mandados de busca em Manaus.
  • Novembro/2024 – TRE-AM mantém medidas restritivas determinadas pela Justiça eleitoral de Parintins.
  • 27/agosto/2025 – PF divulga conclusão do inquérito e indiciamento de cinco servidores do Governo do Amazonas.

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Foto: reprodução/vídeo