Por que lutamos?
Publicado em: 12/03/2014 às 00:00 | Atualizado em: 12/03/2014 às 00:00
Ivânia Vieira*
Poderia recorrer aos dados mais recentes da ONU sobre gravidez indesejada e maternidade precoce. Refletir o porquê de 140 milhões de mulheres casadas ou em união estável com um homem desejarem evitar a gravidez e não utilizarem nenhum método anticonceptivo; ou as razões de 46 milhões de bebês terem nascido sem nenhuma assistência básica e 15 milhões deles serem filhos de mães na faixa etária entre 15 e 19 anos. São os fragmentos da realidade de 130 países (o Brasil é um deles) e essa realidade de privações tem rosto feminino.
Recorro, pela propriedade do documento, à “Carta da Marcha Mundial de Mulheres” deste ano reproduzindo trechos dela: “Denunciamos a máfia milionária da prostituição e da pornografia que se apresentam com a maquiagem da indústria do lazer e do entretenimento.
Denunciamos as grandes obras e mega eventos como Copa do Mundo e Fórmula 1 como espaços para naturalizar a prostituição, facilitar o tráfico de mulheres e de meninas e como uma forma de aprofundar a pobreza e desorganizar a vida da população pobre, via remoções de favelas e terrenos ocupados. Denunciamos a Fifa como uma máfia cada vez mais autoritária e corrupta e reivindicamos o esporte como um direito das mulheres como atividade de lazer, integração e amizade entre os povos.
Neste dia de luta – 8 de março – nos solidarizamos com as mulheres e meninas do Brasil e de todo mundo que sobrevivem e lutam contra a violência que sofrem em casa, nas ruas, no trabalho e as mulheres vítimas de conflitos produzidos e estimulados pelo imperialismo.
Exigimos que o Estado Brasileiro não aceite mais nenhuma morte de mulheres e meninas vítimas da violência sexista e que implemente a Lei Maria da Penha em sua totalidade. Para isso, os Estados e os Municípios devem aplicar recursos em políticas de enfrentamento à violência e o Judiciário precisa enfrentar o machismo dos juízes e outros profissionais do setor. Queremos outro modelo de segurança que garanta o efetivo combate à violência contra a mulher e que não sirva para criminalizar os movimentos sociais e a pobreza.
Estamos em luta para transformar o modelo de produção e consumo. Por isso, denunciamos a imposição dos agrotóxicos e das sementes transgênicas que geram dependência das agricultoras e agricultores. Somamo-nos à luta dos movimentos do campo para que as prioridades do governo hoje voltadas ao agronegócio se revertam para a reforma agrária, demarcação das terras indígenas e quilombolas como único caminho para garantia de soberania alimentar livre de transgenia, de veneno no ar, na água e na terra e nos alimentos que chegam a nossa mesa.” Que a resistência a todas as formas de sujeição das mulheres seja mantida, apreendida e exercitada.
*A autora é jornalista de A Crítica e professora de Comunicação Social da Ufam.
