Pe. Rogério é um pouco de nós

Publicado em: 23/09/2009 às 00:00 | Atualizado em: 23/09/2009 às 00:00


Ivânia Vieira*

Na segunda-feira (21), em editorial, o jornal A Crítica chamava atenção das autoridades estaduais e municipais sobre o triunfo da violência em Manaus. Não é o assassinato de um padre a motivação única para a advertência feita, e sim mais uma morte violenta e, nesse caso, no assassinato de um sacerdote tem-se a tradução da extrema insegurança vivida pelas populações locais.

A morte do padre Rogério ganha repercussão internacional porque expõe uma pessoa cujas atividades têm dimensão pública de relevância. Nela configuram-se as mortes de outras pessoas anônimas tratadas mais como um número no mapeamento dos assassinatos, e encarna a denúncia da explosão dessa violência em âmbito local.

A ocorrência de invasões e de mortes de religiosos (sejam padres, pastores, freiras…) faz parte de um tempo de escuridão e de supressão da liberdade. Assiste-se na atualidade um retorno ao tempo de pavor. Contra ele, mulheres e homens reivindicam o fim da ‘lei do medo’, da ‘lei do horror’. Pedem o resgate do direito de ir e vir em segurança e a presença dessa segurança na cidade.

A morte de Rogério abriga a dor de tantas famílias vitimizadas pela violência no campo e na cidade e faz o grito por Justiça ecoar mais longe. As autoridades devem as respostas. Têm diante delas uma multidão angustiada e inquieta.

Lição de resistência
A jornalista Joaquina Marinho encerrou na terra a sua batalha. No domingo (20), fez a sua partida para, enfim, descansar. Não é para falar de Joaquina e da tristeza de saber que não mais vamos encontrá-la por aqui que uso esse espaço. E sim da lição silenciosa deixada por essa moça: a persistência, a esperança larga na qual embrulhava a sua vida e daqueles mais próximos dela. Em cinco anos de luta contra o câncer, apostou todos os dias em viver. Dizia sim quando a razão mandava dizer não. Fez-se sol em dias de nuvens carregadas. Fica dela essa imagem.

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