O vestido da intolerância
Publicado em: 14/11/2009 às 00:00 | Atualizado em: 14/11/2009 às 00:00
Em artigo em que discute a intolerância, o professor Antonio Ozaí da Silva, da Universidade Estadual de Maringá (PR), adverte: “a construção de uma sociedade fundada em valores que fortaleçam a tolerância mútua exige o estudo das formas de intolerância e das suas manifestações concretas, aliado à denúncia e combate a todos os tipos de intolerância”.
O pesquisador chama atenção para o fato de que a “tolerância pressupõe a intransigência diante das formas de intolerância e fundamenta-se numa concepção que não restringe o problema da tolerância/intolerância ao âmbito do indivíduo; esta é também uma questão social, econômica, política e de classe.”
O vestido de Geisy, a estudante quase banida da Universidade Bandeirante, atualiza as questões enfocadas pelo professor Ozaí. A universitária provocou seus pares ao ir à faculdade usando vestimenta que agrediu a uma parcela de estudantes. Estes reagiram agredindo-a, constrangendo-a, encurralando-a.
A direção da Uniban avança na postura de intransigência ao decidir pela expulsão da estudante. Recua após constatar a repercussão do caso e o tamanho do estrago feito inclusive para os negócios da escola.
O episódio não se encerra com o recuo da direção da faculdade. Não houve bom senso. Ao contrário, houve, sim, a negação desse preceito por todos os protagonistas – a garota, seus colegas, a reitoria da universidade.
A onda provocada por esse caso espirra seu veneno em todos nós. Mostra como a morada da intolerância é larga, disfarçada, cínica, tem esteios ainda muito bem fincados. Por meio dela, diariamente, lá e cá, são realizados e justificados atos de intransigência nos locais de trabalho, nas ruas, em casa. Diminui as pessoas. Está escondida, até em um microvestido e se revela mortal.
*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

