Nosso time em campo

Publicado em: 22/04/2009 às 00:00 | Atualizado em: 22/04/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

É uma delícia, em forma e conteúdo, acompanhar as rodadas do campeonato amazonense de futebol. Primeiro porque ficamos tanto tempo afastadas e afastados desse acontecimento ao ponto de ser algo estrangeiro, muito distante de nós. Fomos domesticadas e domesticados para saber mais sobre os estrangeiros (do Rio, de São Paulo, do Rio Grande do Sul… e dos estrangeiros mesmo). Aceitamos, com enorme facilidade, o discurso da não existência do futebol no Estado, mesmo depois das lembranças atualizadas do espetáculo de paixão de um ‘Rio-Nal’, das peripécias de um São Raimundo no ‘Brasileiro’.

Estamos tendo a chance de aprender de novo, ficar diante da tela ou ir ao estádio ou ao campo mais esburacado, não importa, para acompanhar o time do coração, da nossa cidade e brigar com o técnico como se um fôssemos. De alguma forma estamos nos descobrindo, engrossando agora as torcidas daqui além das de lá.

Bom demais ver a equipe de comentaristas com o nosso jeito, embora, é preciso reconhecer, o padrão siga o roteiro do nacional, avaliando os nossos jogadores, os técnicos e de olho nas manifestações da torcida, nas características do lugar onde o jogo é jogado. O parintinense Nelson Brilhante e o paulista Carlos Souza, na tela da TV A Crítica, nos proporcionam momentos culturais igualmente saborosos e dão uma ajuda e tanto para subvertemos o padrão, criando escapes a nossa identidade.

Outro dia, Brilhante traduziu a performance de um jogador como um sujeito “atirado” e, Souza, na última semana, mostrou que futebol e laranja (do Rio Preto da Eva, é claro) tem tudo a ver. O suco dessa mistura pode gerar uma porção mágica saudável ao povo do Amazonas. Basta superar vícios e enxergar a profissionalização com responsabilidade, contaminar todo esse interiorzão, essa juventude com a formação de times e ser muito “atirado”, não como trunfo político-eleitoral, mas porque o esporte, e futebol em particular, têm um lugar especial na vida das cidades, de um Estado, de um País. Participar é um direito por nós abandonados. Talvez, por isso o silêncio tenha sido tão prolongado.

Eduardo Monteiro de Paula, o Dudu, faz a sua profissão de fé e arrebanha aliados na sua antiga peleja. Kitó até virou notícia nacional, não dessa que constrange, e sim do tipo de estufar o peito e nos fazer gritar: valeu, caboco atirado!

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.
Na foto cedida pelo jornal A CRÍTICA, à esquerda, o narrador Carlos Eduardo Souza ao lado do comentarista Antonio Piola.

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