Atitudes para salvar a Terra e outros planetas
Publicado em: 23/09/2009 às 00:00 | Atualizado em: 23/09/2009 às 00:00
Wilson Nogueira*
A crise mundial reduz a emissão de gases que causam efeito de estufa. Essa notícia era esperada, afinal, o consumo ainda está no freio de mão em muitos países. Mesmo assim, trata-se de um fato que aprofundará mudanças em políticas públicas, na produção e no consumo em escala mundial. O fim da crise não pode mais significar a retomada do crescimento econômico sem a garantia de sustentabilidade para o Planeta.
Especialistas explicavam ontem, antes mesmo da divulgação de dados oficiais, que a queda na taxa da emissão de poluentes na atmosfera seria bem inferior à ocorrida durante a crise do petróleo, no fim da década de 1970 e começo dos anos de 1980. Observavam, ainda, que o mais importante desse novo quadro é que esse fenômeno teria relação, também, com medidas ambientais tomadas pela Comunidade Européia, Estados Unidos e China.
É evidente que tais mudanças são resultados da pressão de imensa parcela da comunidade mundial sobre governos e empresas que se empenham pelo desenvolvimento a qualquer custo. Luta-se para despoluir e salvar a Terra de uma catástrofe dentro dos próximos 50 anos. A pressão que não pode parar. É muito cedo para avaliar até que ponto a produção será retomada em novas bases tecnológicas, ou até mesmo se o fim da crise não suscitará os velhos padrões de consumo. Que a bandeira melhoria da qualidade de vida continue içada.
A pífia participação dos brasileiros no dia mundial sem carro deve desanimar cidadãs e cidadãos envolvidos na causa do meio ambiente. Referi-me tanto aos militantes de carteirinha quanto aos que evitam o desperdício de água e energia elétrica em suas residências. Ainda não dá para deixar o carro na garagem sem que haja transporte público eficiente, principalmente nas capitais. Mas a data é simbólica. Tem função pedagógica. Sabe-se agora que há um esforço mundial para orientar o uso racional de veículos.
Que tal pressionar os governadores e os prefeitos dos Estados e cidades que abrigarão os jogos da Copa do Mundo de 2014, para que dirijam investimentos públicos e privados em ruas e equipamentos que incentivem o deslocamento da população em transporte de massa, em bicicleta e outros veículos de menor impacto ecológico. No Planeta saudável, chique é caminhar sem resmungar e andar de bicicleta. Bem que esse hábito poderia pegar no Amazonas, o lugar mais ecológico do Planeta, segundo certa propaganda governamental. Mas, pelo visto, o bom exemplo virá de Nova York, o lugar mais cosmopolita do mundo.
Ninguém pensa em pôr fim aos carros. Mas, por pura obviedade, a necessidade de usá-lo, adequadamente, é urgente. Não se trata mais de assunto apenas engenheiro de trânsito. Dia desses um motorista engarrafado no transito de São Paulo diagnosticou: “Todo dia entram milhares de carros no trânsito. Por isso, a qualquer dia ele tem que parar!”. Do mesmo modo, caso a emissão de gases poluentes continue encharcando a atmosfera, a qualquer dia a Terra pára. E se os humanos se mudarem para Marte com a mesma mentalidade, Marte também parará; e assim por diante…
*Sociólogo, jornalista e escritor.
