Tesla, Coca-Cola e outras empresas pressionam EUA contra tarifa ao Brasil

Empresas defendem que novas tarifas sobre importações do Brasil aumentariam custos, prejudicariam consumidores e afetariam cadeias de suprimentos estratégicas

Tesla, Coca-Cola e outras empresas pressionam EUA contra tarifa ao Brasil

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 07/07/2026 às 05:25 | Atualizado em: 07/07/2026 às 05:28

Empresas de diferentes setores da economia dos Estados Unidos (EUA) apresentaram ao governo americano pedidos para preservar ou ampliar as isenções tarifárias para produtos importados do Brasil.

Entre elas estão Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay, que argumentam que a aplicação de novas tarifas poderá elevar custos de produção, pressionar os preços ao consumidor e comprometer cadeias de suprimentos consideradas estratégicas.

A fabricante de veículos elétricos Tesla solicitou que insumos industriais brasileiros permaneçam isentos de tarifas. A empresa afirma que, embora esteja investindo bilhões de dólares para nacionalizar e diversificar sua cadeia de fornecedores nas Américas, alguns materiais essenciais para a fabricação de veículos elétricos, baterias e sistemas de robótica ainda não podem ser produzidos nos Estados Unidos com a escala e a qualidade necessárias.

Segundo a montadora, impor tarifas antes que a indústria americana esteja preparada para substituir esses insumos poderá prejudicar trabalhadores, consumidores e a competitividade do setor.

No segmento de alimentos, a Nestlé pediu a ampliação da lista de produtos brasileiros isentos, com a inclusão do café solúvel e do colágeno bovino. A companhia argumenta que o café não é cultivado comercialmente em larga escala nos Estados Unidos continentais e que a produção americana de colágeno não é suficiente para atender à demanda da indústria de saúde e bem-estar.

A empresa também destacou que quase toda a sua cadeia de fornecimento de commodities já foi avaliada como livre de desmatamento, buscando afastar preocupações ambientais relacionadas às importações brasileiras.

Já a Coca-Cola defendeu a manutenção da isenção para o suco de laranja brasileiro e pediu a inclusão do limão e de seus derivados entre os produtos livres de tarifas, ou, alternativamente, um período de transição antes da eventual cobrança.

A companhia afirma que a produção de laranja na Flórida sofreu forte queda nas últimas décadas devido a doenças e eventos climáticos, tornando o Brasil um fornecedor essencial para abastecer o mercado americano. Segundo a empresa, a substituição de fornecedores exige tempo e novas tarifas aumentariam os custos de produção nos Estados Unidos.

A plataforma de comércio eletrônico eBay, por sua vez, propôs a criação de uma isenção específica para produtos usados, seminovos e de segunda mão. A empresa argumenta que as tarifas foram concebidas para atingir bens recém-produzidos e que sua aplicação sobre itens usados penalizaria apenas revendedores e consumidores de menor renda, sem gerar impacto sobre os fabricantes originais.

Os pedidos foram encaminhados ao governo dos Estados Unidos durante o processo de consulta pública sobre a política tarifária para produtos brasileiros. As manifestações reforçam a preocupação de grandes empresas americanas com os possíveis efeitos econômicos de novas barreiras comerciais entre os dois países.

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Foto: Isac Nóbrega/Agência Brasil