Temer vê massacre em Manaus apenas como “acidente”

Publicado em: 05/01/2017 às 11:53 | Atualizado em: 05/01/2017 às 11:53

Para o presidente Michel Temer (PMDB), o maior massacre entre presos da história dos presídios brasileiros foi um “acidente”. Por essa declaração, de que o fato ocorrido em Manaus foi inesperado, fortuito, o poder público confessa que não estava preparado para enfrentar uma situação anunciada pelas facções criminosas com bastante antecedência.

O presidente fez essa declaração nesta quinta, 5, no quinto dia da carnificina que resultou, pelos contestados números oficiais, em 60 vítimas sob custódia do Estado.

A ação do poder público ao anunciar um plano nacional de segurança sob a pressão da desgraça na capital do Amazonas não traz nenhuma novidade, e nem acena com a possibilidade de solução para a problemática prisional, que só se avoluma em todo o país a cada dia.

Afinal, as medidas anunciadas pelo governo federal são mais do mesmo, voltadas para atacar tão somente a consequência de um problema gigantesco: construção de mais presídios e parafernália para usar contra visitantes.

Temer também mostrou-se contaminado pelo relatório do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que foi a Manaus apenas para ver os rastros do sangue no presídio e dar desculpas. Segundo o presidente, a responsabilidade pelo massacre não é do poder público:

“Não houve ‘uma responsabilidade objetiva, clara e definida dos agentes estatais’ no episódio de Manaus, uma vez que os presídios da capital amazonense têm serviços terceirizados”, afirmou o presidente.

Para Temer, ao mandar o ministro a Manaus, o governo federal deu todo o apoio ao governo estadual: “Claro que [as autoridades] tinham de ter informações e acompanhamento. Os dados foram acompanhados pelo Ministério da Justiça desde o primeiro dia. [O ministério] colocou todos dispositivos federais por conta do presídio de Manaus”.

Com informações da Agência Brasil.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil