País teria 225 mil contaminados fora dos números oficiais, diz estudo

Brasil pode ter um número de contaminados que não está nos boletins diários

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Publicado em: 14/04/2020 às 08:00 | Atualizado em: 14/04/2020 às 01:42

O Brasil passou dos 20 mil casos de coronavírus (covid-19) oficialmente notificados neste fim de semana. Porém, no sábado, dia 11, o número real de infectados era de 245 mil.

Isso é o que afirma estudo de grupo interdisciplinar, com epidemiologistas e pesquisadores de diversas áreas.

O trabalho foi feito pelo projeto Nois (Nucleo de Operações e Inteligência em Saúde), que envolve PUC-Rio, Fiocruz, USP e outras instituições.

Inicialmente, os pesquisadores montaram a estimativa a partir das taxas de letalidade da doença no país, calculada pelo número de mortes dividido pelo número de casos.

De acordo com o estudo, a taxa de letalidade observada para os casos que já tiveram desfecho, pacientes que morreram ou já receberam alta, é de 16,3%.

Conforme os especialistas, muito alta em relação a outros países onde já há estudos com casos bem documentados. Nesses, cerca de 1,3% resultaram em óbito.

No entanto, isso não significa que a doença seja mais letal no Brasil, afirmam os pesquisadores.

Mas sim que o número real de infecções (incluindo os casos leves e assintomáticos) esteja muito acima daquelas notificadas.

 

Falta de kit de teste, o problema

Segundo os pesquisadores, o grande problema com os dados da covid-19 no país é a falta de kits de testagem. Sobretudo, os de RT-PCR, que são mais confiáveis e detectam a presença do vírus em pacientes que já desenvolveram sintomas.

“Em São Paulo, onde está a maioria dos casos confirmados no país, apenas 24% do total de testes foram entregues”, diz relatório.

Segundo os pesquisadores, a precariedade dos dados sobre a doença é, em si, um risco para o país.

“O elevado grau de subnotificação pode sugerir uma falsa ideia de controle da doença e, consequentemente, poderia levar ao declínio na implementação de ações de contenção, como o isolamento horizontal”, afirma o estudo.

 

Estatísticas dos estados

A porcentagem de notificação dos casos, segundo os cientistas, também aparenta estar variando entre diferentes estados.

Por exemplo, enquanto no Rio de Janeiro está em 7,2%, em São Paulo ela foi estimada em 6,2%.

Como a projeção é sobre o número de casos com base na letalidade, o cenário pode mudar quando começarem a faltar leitos no país.

Leia em O Globo.

 

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Foto: Reuters/Andrew Kelly/Agência Brs