Nova manifestação de professores pede transparência sobre o Fundeb

Publicado em: 11/10/2017 às 17:17 | Atualizado em: 11/10/2017 às 17:26

Por Rosiene Carvalho, da Redação

 

Um dia antes de um feriado, o movimento de professores, que exige transparência na aplicação do  Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) por parte da Prefeitura Municipal de Manaus (PMM), reuniu 500 profissionais da Educação na  Praça da Polícia Militar, Centro de Manaus.

Sem o apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam),  os profissionais voltaram às ruas para pedir que o prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto (PSDB), e a Secretaria Municipal de Educação (Semed) expliquem detalhadamente como foi aplicado os R$ 109 milhões depositados na conta da prefeitura repassados pelo Fundeb.

É o terceiro ato de rua reunindo uma quantidade expressiva de professores que também têm usado as redes sociais para reclamar sobre o Fundeb e também para expor e denunciar as condições em que as escolas municipais funcionam em Manaus. Atos anteriores em frente à Semed e à prefeitura reuniram cerca de 5 mil e 2 mil pessoas, segundo informações do movimento.

A professora Gleise Oliveira, da comissão de assessoria de comunicação do movimento e que é funcionária da prefeitura desde 1995, afirmou que o movimento quer descobrir de que maneira o dinheiro do Fundeb está sendo aplicado em Manaus, porque as escolas não têm estrutura nem os professores receberam abonos.

“As escolas estão em péssimas condições. Há vários locais em que o ar-condicionado pifou e que os professores tiveram que fazer cotas para consertar. Água, lanche, material  expediente também ocorre o mesmo”, afirmou a professora.

Gleise afirmou que professores e alunos convivem com o sentimento de insegurança nas  escolas e que a informação de que R$ 92 milhões foram pagos aos fornecedores surpreendeu os professores.  A informação foi publicada pelo  jornal A Crítica desta quarta-feira, dia 11.

“Somos assaltados na saída da escola, ameaças de estupro  (…) Esses R$ 109 milhões referente a 2016, portanto, essa verba aplicada deve ser rateada aos professores na forma de bônus. Por isso, o Governo do Estado fez assim. Queremos que o Arthur cumpra a lei”, relatou.

Novos protestos e apoios

O movimento foi criando força a cada entrevista à imprensa do prefeito, da secretária da Semed  Kátia Helena Serafina Schweickardt  e do chefe da Casa Civil, Arthur Bisneto. Nessas coletivas, a secretária, em alto tom de voz, chegou a classificar as pessoas que participam do movimento como “criminosas”.

Professores têm feito reuniões com os pais de alunos explicando a condição das escolas e pedindo apoio ao movimento.

Nesta terça-feira, o arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Sérgio Eduardo Castriani, nota no site da arquidiocese se posicionando favorável, incentivando o movimento de professores e conclamando as comunidades católicas a apoiarem as manifestações por melhoria na educação na cidade.

A próxima  atividade de protesto e  de apoio dos professores municipais deve ocorrer no Dia dos Professores, dia 15, na quadra da escola de samba Vitória Régia, na Praça 14, que tem como enredo homenagem aos profissionais da educação.

Fundeb

A lei exige 60% desses recurso sejam direcionados na remuneração dos docentes de sala de aula. As opções dos gestores que receberam o recurso era repassar como abono aos profissionais ou aplicar o recurso na progressão  salarial, o que informa ter feito a prefeitura.

No entanto, o movimento dos professores reclama que a progressão feita pela prefeitura é correspondente apenas ao ano de 2016 e que, em média, o “aumento” que 60% dos R$ 109 milhões é de R$ 50 por professor que teve acesso à progressão.

Foto: BNC

 

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