Microsoft compra créditos de carbono nos EUA enquanto país amplia poluição
Gigante da tecnologia tenta compensar emissões da IA em um país que rejeita acordos ambientais, abandona organismos internacionais e ignora a COP-30 na Amazônia
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 19/01/2026 às 11:19 | Atualizado em: 19/01/2026 às 11:19
A Microsoft anunciou a compra de milhões de créditos de carbono gerados por projetos de agricultura regenerativa nos Estados Unidos, em uma tentativa de compensar o crescimento acelerado de suas emissões de gases de efeito estufa, impulsionadas pela expansão de data centers e pelo avanço da inteligência artificial.
O movimento ocorre em um contexto marcado por forte contradição política e ambiental.
Os créditos são adquiridos justamente em um país cujo governo federal, sob o comando de Donald Trump, nega a gravidade da crise climática, retirou os Estados Unidos de dezenas de organismos internacionais ligados ao meio ambiente e optou por não participar da COP-30 no coração da Amazônia.
Embora figurem entre os maiores emissores de carbono do planeta, os Estados Unidos seguem resistindo a compromissos multilaterais de proteção ambiental, transferindo para o setor privado a tarefa de mitigar impactos que continuam sendo estruturalmente ampliados pela própria política energética e industrial do país.
A estratégia da Microsoft expõe o limite das soluções baseadas exclusivamente em compensação.
Ao mesmo tempo em que compra créditos de carbono, a empresa amplia operações intensivas em energia, reforçando um modelo tecnológico que pressiona sistemas elétricos, aumenta o consumo de água e contribui para o agravamento da crise climática global.
Amazônia
No olhar amazônico, o caso escancara uma assimetria recorrente: enquanto regiões como a Amazônia são permanentemente cobradas por preservação e submetidas a restrições ambientais, grandes potências mantêm padrões elevados de poluição e apostam em mecanismos compensatórios para evitar mudanças estruturais em seus modelos de desenvolvimento.
Por que data centers e IA impactam o meio ambiente?
– Consumo massivo de energia : data centers operam 24 horas por dia e demandam grandes volumes de eletricidade, muitas vezes gerada por fontes fósseis.
– Uso intensivo de água : sistemas de resfriamento consomem milhões de litros de água para evitar o superaquecimento de servidores.
– Expansão das emissões : aplicações de inteligência artificial exigem alto poder computacional, elevando significativamente a pegada de carbono.
– Pressão sobre territórios : a instalação de grandes centros de dados impacta redes elétricas locais e amplia disputas por recursos naturais.
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