Mais de R$ 100 milhões repassados liga Master à máfia dos postos de gasolina

Empresa investigada por lavagem recebeu R$ 102 milhões do Banco Master e é ligada ao setor de postos no Rio.

Publicado em: 10/06/2026 às 10:55 | Atualizado em: 10/06/2026 às 10:55

Uma empresa investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro e uso de laranjas no setor de combustíveis recebeu mais de R$ 100 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025, segundo documentos analisados pela reportagem.

Os repasses, que somam R$ 102 milhões, foram destinados à Metanoein Participações e Consultoria Ltda. O banco classificou as transferências como pagamento por prestação de serviços. A empresa, porém, aparece em uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal sobre suposta atuação de organização criminosa ligada ao mercado de postos de gasolina no Rio de Janeiro.

A sócia-administradora da Metanoein, Rose Evelyn Machado Coité, é apontada pelos investigadores como integrante de uma rede de postos operada por meio de terceiros. Apesar disso, a empresa não possui atividade formal registrada no ramo de combustíveis, atuando oficialmente nas áreas de consultoria e serviços administrativos.

As movimentações financeiras chamam atenção porque ocorrem paralelamente ao avanço de operações que investigam a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis e em estruturas financeiras.

Documentos da Junta Comercial mostram ainda que a Justiça Federal determinou o bloqueio de valores ligados à Metanoein e a integrantes da família de Rose Evelyn. O Ministério Público Federal suspeita que postos de combustíveis sejam controlados por meio de interpostas pessoas, os chamados laranjas.

A Metanoein também apresenta características semelhantes às de outra empresa que recebeu recursos milionários do Banco Master, a Mídias Promotora, alvo de buscas em investigações relacionadas ao caso Rioprevidência. As duas funcionam no mesmo endereço comercial em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro, e mantêm estruturas societárias semelhantes.

A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentará o caso. Rose Evelyn Machado Coité não respondeu aos contatos da reportagem.

Saiba mais na Folha de S. Paulo.

Leia mais

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil