Emendas parlamentares priorizam tratores e obras na Amazônia

Congresso destina bilhões em máquinas para a Amazônia e quase nada para o meio ambiente.

Pesquisa traz à luz outra Amazônia: centro de agrobiodiversidade

Publicado em: 11/10/2025 às 17:23 | Atualizado em: 11/10/2025 às 17:23

Enquanto o Brasil se prepara para sediar a COP30, em Belém, os dados do Orçamento federal revelam uma contradição: em dez anos, menos de 1% das emendas parlamentares foi destinado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), enquanto bilhões financiaram máquinas pesadas distribuídas nos estados da Amazônia.

O levantamento aponta que essas máquinas, custeadas com dinheiro público, vêm sendo usadas para abrir estradas ilegais, ampliar áreas de desmatamento e favorecer garimpos na floresta.

De acordo com dados do portal Siga Brasil, entre 2015 e 2025, as emendas parlamentares somaram R$ 298 bilhões, mas apenas R$ 520 milhões (0,17%) foram destinados à pasta ambiental.

Desses, apenas R$ 11,6 milhões — cerca de 2,2% — foram aplicados na Amazônia Legal. Em contraste, a compra e distribuição de maquinários como tratores de esteira, escavadeiras e motoniveladoras representou um investimento três vezes maior, impulsionado por programas como o Calha Norte e a Codevasf, tradicionalmente voltados à integração e irrigação, mas que se transformaram em canais de repasse político de emendas.

O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, alertou para o uso indevido dos equipamentos: “Em muitos lugares, esse maquinário é o instrumento do crime ambiental. Um trator de esteira na Amazônia não serve para enterrar lixo, e sim para derrubar floresta.”

Segundo ele, o órgão tem enfrentado dificuldades para conter o avanço do desmatamento provocado por obras irregulares financiadas com recursos públicos.

O desequilíbrio orçamentário entre meio ambiente e infraestrutura rural expõe a prioridade política dos parlamentares e contrasta com o discurso ambiental adotado por líderes que participarão da COP30. Especialistas afirmam que a prática reforça o modelo predatório de desenvolvimento e compromete os compromissos internacionais do Brasil com a redução de emissões e a proteção da Amazônia.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil