Com isenção do IR, Lula ganha arma eleitoral de peso para 2026
Com impacto imediato no bolso da população, governo aposta na medida como bandeira para a reeleição
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 03/10/2025 às 15:43 | Atualizado em: 03/10/2025 às 15:43
Sob aplausos unânimes da Câmara dos Deputados, o governo do presidente Lula da Silva conquistou uma vitória simbólica e política de peso: aprovou um projeto que isenta do Imposto de Renda (IR) pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5.000, pretendendo estender alívio à população que, até então, está nessas faixas intermediárias.
Conforma publicação da Veja, a aprovação, ocorrida na noite de quarta-feira (1º), foi emblemática: todos os 493 deputados presentes votaram favoravelmente — mesmo aqueles contrários a aumentos de imposto.
Para sustentar a isenção — que representará uma perda estimada de R$ 31,3 bilhões já no primeiro ano — o governo propõe elevar a taxação sobre os mais ricos, incluindo dividendos e lucros, criando uma “taxa mínima” de IR para altas faixas de renda.
Mas o que era saudado como “justiça fiscal” despertou críticas e advertências: “cobrar de um no lugar do outro, em vez de cortar gastos”, alertou o deputado Gilson Marques (Novo-SC). Na avaliação de críticos, o novo desenho tributário muda o alvo da arrecadação sem alterar a lógica do gasto público — ou seja, mais recursos para financiar a máquina estatal, em vez de reordenar despesas.
Um remédio para distorções históricas?
Por muito tempo, o sistema tributário brasileiro já foi acusado de “inverter progressividade” — isto é, tributar proporcionalmente mais quem ganha menos.
Um estudo do Sindifisco mostrou que, em 2023, super-ricos com rendimentos superiores a 320 salários mínimos tiveram alíquota efetiva média de 4,34 %, enquanto quem recebia entre 5 e 30 salários mínimos foi tributado em 9,85 %.
Partindo desse diagnóstico, a reforma busca corrigir uma distorção arraigada: segundo a versão aprovada, a faixa de isenção passaria dos atuais até ≈ R$ 3.036 (dois salários mínimos) para até R$ 5.000 — elevando o percentual de isentos de 76 % para até 86 % da população trabalhadora.
Também foi aprovada a obrigação de o Executivo encaminhar lei para correção automática da tabela do IR, tentando evitar que a inflação empurre contribuintes para faixas mais altas (o que ocorre há décadas).
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O custo e o contra-ataque: tributar dividendos
Para compensar o rombo, o governo propõe medidas controversas:
- – criação de imposto mínimo de 10 % para quem ganha mais de R$ 100.000 por mês;
- – alíquota mínima gradual entre 0 % e 10 % para rendimentos entre R$ 50.000 e R$ 100.000;
- – tributação de 10 % sobre dividendos que excedam R$ 50.000 mensais;
Segundo estimativas do governo, essas medidas poderiam gerar receita adicional de R$ 34 bilhões e compensar o custo da isenção para milhões de contribuintes.
Contudo, a proposta atrai resistência — especialmente de quem teme impactos no investimento e no setor produtivo. Alguns economistas advertem que tributar dividendos pode encarecer o capital e gerar incertezas para empreendedores.
O dilema político e estratégico
Para Lula, o avanço no Congresso representa uma importante munição eleitoral em 2026: ao oferecer alívio para milhões de pessoas, o presidente consolida uma narrativa de compromisso com a justiça social e o redistribuição de carga tributária.
Mas o triunfo na Câmara não é garantia de sucesso no Senado. O relator da proposta original de 2021, Paulo Guedes, chegou a aprovar medidas semelhantes na Câmara, mas viu o texto naufragar no Senado diante de resistência.
Além disso, críticos apontam que a medida sugere uma alternativa fácil: não cortar despesas, mas transferir o ônus para outro segmento. A fala de Gilson Marques resume esse alerta:
“O governo só muda a vítima: cobra de um no lugar do outro, em vez de cortar gastos.”
Esse dilema — mais arrecadação ou mais contenção de despesa — será um dos grandes campos de embate até 2026.
Em suma, a aprovação da isenção do IR até R$ 5.000 é um movimento ousado com forte apelo popular e simbólico. A medida será uma das grandes referências da agenda fiscal dos próximos anos — e uma peça central na disputa presidencial que se avizinha.
Leia mais sobre o assunto em Veja.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
