Aplauso de Tarcísio para Moraes não sai da cabeça de Flávio Bolsonaro
Direita e o drama de achar um candidato para 2026
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 15/12/2025 às 21:37 | Atualizado em: 15/12/2025 às 21:37
O incômodo de Flávio Bolsonaro com os aplausos de Tarcísio de Freitas ao ministro Alexandre de Moraes vai além de um gesto protocolar em um evento público.
Ele revela, de forma cristalina, a disputa silenciosa, e cada vez menos disfarçada, pelo comando político da direita brasileira no pós-Bolsonaro.
Ao afirmar que Tarcísio estava “claramente desconfortável” e que ele próprio teria deixado o local, Flávio tenta cumprir dois objetivos simultâneos: preservar o governador de São Paulo como aliado potencial e, ao mesmo tempo, marcar diferenças claras de comportamento diante do Supremo Tribunal Federal.
Na prática, a fala funciona como um recado ao eleitorado bolsonarista mais fiel, para quem qualquer gesto de cordialidade com Moraes é visto como sinal de rendição.
O episódio evidencia um dilema estratégico.
Tarcísio aposta na institucionalidade, no diálogo e na moderação como caminhos para se viabilizar nacionalmente, sobretudo junto ao centro político e ao empresariado.
Já o bolsonarismo raiz, hoje representado de forma mais explícita por Flávio e Eduardo Bolsonaro, mantém a lógica do confronto permanente com o Judiciário como elemento central de identidade política.
Nesse contexto, o aplauso, ainda que tímido, ganha peso simbólico.
Para uma parcela da direita, Tarcísio sinaliza maturidade política.
Para outra, sinaliza afastamento do bolsonarismo.
Flávio percebeu isso e reagiu publicamente, não por acaso ao ser questionado sobre 2026.
Mais do que um ruído circunstancial, o episódio antecipa o embate que tende a se intensificar nos próximos meses: de um lado, uma direita que busca se normalizar institucionalmente; de outro, uma direita que se alimenta do conflito e da narrativa de perseguição.
O gesto de Tarcísio mexeu com a cabeça de Flávio porque expôs, em rede nacional, que o bolsonarismo já não controla sozinho os símbolos, os rituais e os caminhos possíveis da direita brasileira.
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Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
