‘TariFlávio’ vira campo da disputa presidencial na terra de Trump

Enquanto Lula aposta na diplomacia contra novo tarifaço, candidato da extrema direita vai a audiência nos EUA em campanha eleitoral.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 06/07/2026 às 11:41 | Atualizado em: 06/07/2026 às 11:44

A disputa pela presidência do Brasil ganhou nesta segunda-feira (6 de julho) um novo palco: Washington, nos Estados Unidos.

Enquanto o governo do presidente Lula da Silva intensifica negociações diplomáticas para impedir que os Estados Unidos imponham novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da extrema direita na eleição, participa de audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Dessa forma, o filho de Bolsonaro leva a campanha para o centro do debate comercial entre os dois países.

Ao lado do influenciador Paulo Figueiredo, Flávio sustenta que a aplicação imediata das tarifas poderá favorecer eleitoralmente Lula e defende que qualquer decisão seja adiada por 180 dias, permitindo que o próximo governo brasileiro conduza as negociações comerciais com o governo de Donald Trump.

A iniciativa ocorre em meio às críticas dirigidas a bolsonaristas, acusado por adversários de estimular pressões internacionais contra o Brasil por meio da atuação de aliados nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro, acusado de pedir essa interferência americana no país, diz que sua participação busca justamente evitar prejuízos às exportações brasileiras.

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Duas estratégias para o mesmo problema

A audiência pública promovida pelo USTR evidencia dois caminhos distintos para enfrentar a maior tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos dos últimos anos.

De um lado, o Palácio do Planalto mantém negociações diplomáticas conduzidas pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Entre as alternativas em discussão está a redução de tarifas brasileiras sobre produtos norte-americanos que não possuem produção equivalente no mercado nacional, numa tentativa de construir um entendimento capaz de evitar a nova sobretaxa.

Do outro, Flávio Bolsonaro aposta na interlocução direta com autoridades americanas e defende o adiamento da medida até depois das eleições brasileiras, argumentando que um novo governo poderá redefinir a política comercial bilateral.

Na prática, Flávio tenta debelar a narrativa política de que seria responsável por contribuir pelas ações de Trump contra o Brasil.

Empresários entram em campo

A consulta pública organizada pelo governo norte-americano reúne representantes dos setores mais afetados pela eventual elevação das tarifas.

Participam da audiência entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Grandes empresas brasileiras e multinacionais instaladas no país, entre elas Weg, Suzano, Bauducco, Nestlé e Coca-Cola, também apresentaram manifestações defendendo a preservação do fluxo comercial entre os dois países.

No lado americano, grupos ligados à indústria do aço e produtores rurais defendem a manutenção das barreiras comerciais como forma de proteger a produção doméstica.

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Exportações mostram resistência

Apesar da escalada das tensões comerciais iniciada no ano passado, os números mais recentes indicam que as exportações brasileiras continuam reagindo.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o valor exportado para os Estados Unidos cresceu 3,7% em junho na comparação anual, interrompendo a tendência de queda observada desde o primeiro pacote tarifário anunciado por Donald Trump.

Em volume físico, entretanto, as vendas recuaram 6,6%, sinalizando que o aumento da receita decorreu principalmente da elevação do preço médio dos produtos exportados.

Para a indústria brasileira, a confirmação de uma nova tarifa de 25% poderá comprometer a competitividade de diversos segmentos, especialmente aqueles com maior exposição ao mercado americano.

Economia e campanha passam a caminhar juntas

A audiência desta segunda-feira simboliza uma mudança importante na campanha presidencial de 2026.

Até então concentrada em temas como segurança pública, economia doméstica e investigações envolvendo lideranças políticas, a disputa eleitoral passa agora a incorporar também a política comercial externa como instrumento de confronto entre governo e oposição.

Mais do que discutir tarifas, Brasília e Washington tornaram-se palco de uma disputa sobre quem possui maior capacidade de defender os interesses econômicos do Brasil perante a principal potência mundial.

A decisão do governo Donald Trump sobre a adoção ou não das novas tarifas deverá ocorrer após a conclusão das audiências públicas, tornando-se não apenas um marco para o comércio exterior brasileiro, mas também um fator com potencial para influenciar os rumos da sucessão presidencial.

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Foto: reprodução/ICL Notícias