‘TariFlávio’ de Trump pode atingir mais de 4 mil produtos, estima indústria
CNI afirma que medida colocaria em risco US$ 14,9 bilhões em exportações
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/07/2026 às 14:01 | Atualizado em: 06/07/2026 às 14:01
A possível imposição de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode afetar cerca de 4,1 mil itens exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano.
A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (6) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no mesmo dia em que começam, em Washington, as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Segundo a CNI, os produtos que podem ser atingidos pelo chamado “tarifaço” representam, juntos, US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Entre os principais itens listados estão ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.
As audiências integram a investigação comercial conduzida pelo governo do presidente Donald Trump, que avalia a aplicação da sobretaxa sobre produtos brasileiros. O prazo para que Brasil e Estados Unidos cheguem a um acordo termina em 15 de julho, enquanto o governo brasileiro intensifica as negociações para evitar a adoção da medida.
O USTR sustenta que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais contra empresas norte-americanas em áreas como o sistema de pagamentos PIX, o mercado de etanol, políticas relacionadas ao desmatamento e proteção da propriedade intelectual. As alegações, no entanto, foram rejeitadas formalmente pelo governo brasileiro em documento encaminhado na semana passada à administração norte-americana.
Para a Confederação Nacional da Indústria, a aplicação da tarifa adicional não encontra respaldo jurídico, econômico ou estratégico e pode prejudicar a relação comercial entre os dois países.
“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob o aspecto jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, afirmou, em nota, o presidente da entidade, Ricardo Alban.
A expectativa é de que as audiências públicas sirvam como etapa decisiva antes da definição do governo dos Estados Unidos sobre a adoção ou não da nova tarifa, enquanto representantes dos dois países tentam construir um entendimento que preserve o fluxo comercial bilateral.
Leia mais no g1.
Leia mais
‘TariFlávio’ vira campo da disputa presidencial na terra de Trump
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
