Quais as chances de Joana Darc tirar Serafim da chapa de Cidade?
Deputada ganha força pelo protagonismo feminino e pelo capital eleitoral, mas enfrenta o peso político, institucional e estratégico do vice-governador
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 27/07/2026 às 21:26 | Atualizado em: 27/07/2026 às 21:26
A deputada estadual Joana Darc (União Brasil) passou a integrar as conversas sobre uma eventual mudança na chapa do governador Roberto Cidade (União Brasil).
Nos bastidores, cresce a avaliação de que ela reúne atributos capazes de fortalecer a candidatura ao governo.
A articulação se reforça, principalmente pelo momento vivido pela política amazonense, em que as mulheres assumiram protagonismo inédito na disputa pelo Executivo estadual.
O cenário favorece esse raciocínio. Maria do Carmo (PL) disputa o governo; Alessandra Campelo (PSD), vice de Omar Aziz (PSD); Shádia Fraxe (Avante) compõe a chapa de David Almeida.
A entrada de Joana colocaria Cidade no mesmo movimento de valorização da presença feminina nas chapas majoritárias.
Mas, a pergunta que circula nos bastidores é outra: isso basta para retirar Serafim Corrêa da vice?
A resposta está longe de ser simples.
Joana reúne credenciais eleitorais difíceis de ignorar. Foi a segunda deputada estadual mais votada em 2022 e construiu um eleitorado próprio a partir da defesa da causa animal. Este segmento lhe garante forte presença política e digital.
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Credenciais de Serafim
Entretanto, do outro lado está Serafim Corrêa, um dos quadros mais respeitados da política amazonense.
Ex-prefeito de Manaus, ex-deputado estadual, economista e auditor aposentado da Receita Federal, ele agrega à chapa experiência administrativa, credibilidade e interlocução política construída ao longo de décadas.
Além do currículo, Serafim dialoga com setores empresariais, instituições públicas e diferentes correntes ideológicas.
Como integrante do PSB, mantém proximidade com lideranças nacionais do partido, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin. Com isso, amplia os canais de interlocução da campanha junto ao governo federal.
Há ainda um aspecto simbólico. Uma eventual substituição significaria retirar da chapa um político que sempre cultivou uma imagem de lealdade, discrição e compromisso institucional.
Conhecido pelo perfil conciliador, dificilmente criaria embaraços públicos caso fosse preterido, mas sua saída teria peso político e histórico.
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Chapa federal perde força
Outro obstáculo para Joana Darc está dentro do próprio União Brasil.
Sua ida para a vice-governadoria produziria um efeito colateral na chapa proporcional.
Somada à saída de Cidade da disputa para deputado federal, o partido deixaria de contar com cerca 190 mil votos obtidos pelos dois em 2022.
Esse patrimônio eleitoral é suficiente para influenciar diretamente o desempenho da legenda na eleição para a Câmara dos Deputados.
E justamente aí reside um dos dilemas da campanha.
Vale fortalecer a chapa majoritária com uma candidata que representa renovação, presença feminina e densidade eleitoral, correndo o risco de enfraquecer a estratégia para a bancada federal?
Ou é mais vantajoso manter Serafim, preservando uma composição que combina experiência, credibilidade e articulação institucional?
Além disso, há outra questão: Cidade estaria disposto a comprar briga com a presidente do TCE-AM, Yara Lins? Só para saber: ela é mãe de Fausto Santos Júnior, candidato a deputado federal pelo União Brasil.
Essa é uma decisão que Cidade ainda terá que tomar. E talvez seja uma das mais difíceis de toda a montagem de sua chapa.
Afinal, não se trata apenas de escolher um vice-governador, mas de definir qual perfil político pretende apresentar ao eleitor e quanto o União Brasil está disposto a sacrificar na disputa proporcional para fortalecer sua candidatura ao governo.
Foto: reprodução
