‘Preciso de um avião para as quengas’, ordena Vorcaro para farra nos EUA
Mensagens do caso Master mostram Vorcaro organizando transporte de mulheres para eventos nos Estados Unidos.
Publicado em: 19/06/2026 às 10:58 | Atualizado em: 19/06/2026 às 11:01
Mensagens tornadas públicas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro mobilizou uma estrutura para transportar mulheres a eventos promovidos nos Estados Unidos com a presença de empresários, políticos e convidados influentes.
Entre os diálogos obtidos pela Polícia Federal, uma frase atribuída ao dono do Banco Master chamou atenção dos investigadores: “Preciso de um avião para as quengas”.
A mensagem foi enviada em abril de 2024 durante os preparativos para uma viagem a Nova York. Em outras conversas, auxiliares discutem a distribuição das mulheres nos hotéis, a privacidade dos convidados e detalhes da logística das festas organizadas pelo grupo.
Os diálogos ajudam a dimensionar a estrutura montada por Vorcaro para recepcionar convidados em eventos de luxo. Mas também levantam uma questão que, até agora, aparece de forma secundária nas investigações: quem eram as mulheres recrutadas para participar desses encontros?
A reflexão foi levantada pela filósofa Djamila Ribeiro em artigo publicado na imprensa nacional. Segundo ela, quando casos de corrupção, tráfico de influência ou crimes financeiros vêm à tona, essas mulheres costumam surgir apenas como personagens periféricas da história.
As mensagens divulgadas até agora não esclarecem como os responsáveis contrataram os serviços, se receberam informações completas sobre os eventos ou quais garantias tiveram de privacidade.
Perguntas sem resposta
O material da investigação não esclarece se as mulheres conheciam o ambiente político-empresarial, autorizaram registros de imagem ou sofreram compartilhamento sem consentimento.
Embora não haja acusações formais, especialistas lembram que a lei brasileira protege contra abuso, exposição indevida da intimidade e exploração sexual.
A Lei nº 13.772, por exemplo, criminaliza o registro ou a divulgação de imagens íntimas sem autorização da vítima.
Por isso, parte dos questionamentos levantados após a divulgação das mensagens não está relacionada apenas aos possíveis crimes financeiros investigados no caso Banco Master, mas também às condições enfrentadas pelas mulheres que participaram desses eventos.
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Foto: reprodução/X
