Indígenas do Vale do Javari cobram na Guatemala cautelar por Bruno e Dom
A Univaja participa nesta quarta-feira, 11 de março, da sessão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para exigir proteção aos povos indíegnas.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 11/03/2026 às 11:19 | Atualizado em: 11/03/2026 às 11:20
A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) participa nesta quarta-feira, 11 de março, na Guatemala, da sessão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a fim de cobrar medidas cautelares para evitar crimes na região como os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Philips.
No ano passado, três anos após as mortes do indigenista e do jornalista britânico, integrantes da CIDH estiveram no local e ouviram críticas de lideranças indígenas, pois continua em alta as invasões de terras indígenas e índices de criminalidade.
A medida cautelar (449-22), emitida pela CIDH, determina que o Brasil proteja “todos que atuam na defesa do território, tenham a garantia de continuarem seu trabalho de defensores dos direitos humanos e da floresta de forma segura, sem riscos à sua integridade pessoal e à vida”.
Segundo a Univaja, a sessão é mais um passo no processo de proteção do Vale do Javari.
“Um processo que também contou com a visita in loco da CIDH ao Javari, em agosto do ano passado. Um momento no qual o Estado brasileiro se comprometeu a criar um comitê gestor de proteção territorial do Javari com participação da Univaja. No entanto, apesar se alguns avanços no processo isso ainda não aconteceu”, diz nota da organização.
Para a entidade, as ações na região seguem sendo pontuais, o que não atende à complexa e grave situação na qual se encontra a região, marcada por conflitos e pela atuação do crime organizado.
Proteção
“Essa audiência é chave para o Estado brasileiro demonstrar qual o seu projeto de futuro para o Vale do Javari: um projeto para garantir um território da floresta amazônica seguro e protegido contra crimes ambientais”, diz Raquel da Cruz Lima, da Artigo 19, que vai participar da audiência marcada para às 18h (horário Manaus).
Para ela, é necessário que diversas etnias indígenas possam viver de acordo com seus modos de vida.
“E não um território marcado pela exploração ilegal de recursos naturais e no qual crimes como os contra Maxciel, Bruno e Dom estão fadados a se repetir”, diz.
As organizações que acompanham o caso na CIDH são:
- ARTIGO 19 Brasil e América do Sul,
- Instituto Vladimir Herzog,
- Repórteres Sem Fronteiras (RSF),
- Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji),
- Instituto TORNAVOZ,
- Instituto Dom Philips,
- Washington Brazil Office (WBO),
- União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi).
A audiência pode ser acompanhada pelo canal no youtube: https://www.oas.org/pt/CIDH/jsForm/?File=/pt/cidh/prensa/notas/2026/028.asp&utm_te rm=class-inst.
Foto: reprodução/Sesai
