O clima do Festival Folclórico de Parintins
Cidade vira espaço de um grande festival de cultura popular
Por Dassuem Nogueira
Publicado em: 25/06/2026 às 19:33 | Atualizado em: 25/06/2026 às 20:21
O Festival Folclórico de Parintins tornou-se um grande festival de cultura popular. Tal como os festivais de rock in rol, literatura, cinema, dança, o festival de Garantido e Caprichoso é um evento que vai além das apresentações e se espraia por toda a cidade.
A cidade de Parintins vira o espaço de um grande festival de cultura popular; movimenta estruturas da máquina estatal para garantir segurança e saúde, mas que, sobretudo, fomenta a experiência do turista, especialmente, no entorno da catedral.
Catarse coletiva
A experiência se inicia na aventura de chegar a ilha Tupinambarana, especialmente para quem faz a travessia pelo rio Amazonas em viagens que duram de 12 horas, em barco comum, ou 7 horas nas lanchas rápidas.
São cerca de 300 a 700 pessoas indo de um ponto ao outro com um mesmo propósito: emprestar suas vidas, tempo, alegria e dinheiro à disputa de Garantido e Caprichoso.
É uma catarse coletiva para o povo amazonense e todos aqueles capturados por essa grande festa.
Experiência
O festival de Parintins é uma experiência sensorial em amplo sentido. É o momento composto pela visão da paisagem da várzea alagada dessa época do ano no rio Amazonas.
É o momento de sentir o cheiro da multidão com perfumes, hálitos e suores, da tinta óleo das pinturas dos barcos, o tempero único da sopa servida nas embarcações, do diesel, cerveja, filtro solar, banheiros de uso coletivos, tecido de rede, fumaça das comidas vendidas ao ar livre.
Ouvir muita toada de boi bumbá e boas histórias. Sentir na pele o sol queimando e, em seguida, o refresco do flal.
E, do meio para o fim, sentir a garganta inflamando da virose que a maioria de nós leva de lembrança da aglomeração do festival.

Grandioso
Desde a chegada, tem-se a sensação de estar chegando em algo grandioso. O que se materializa no entorno do bumbódromo ao nos depararmos com os enormes murais de Garantido e Caprichoso na entrada e as alegorias estacionadas ao fundo.
Fila para tudo
Imensas também são as filas que se formam na semana do festival para absolutamente tudo: ir ao banheiro, resgatar brindes, comprar pão, tirar foto nos módulos instagramáveis disponibilizados para a autopromoção nas redes sociais.
Pode avisar
Todos os visitantes querem divulgar ao mundo que chegaram para o grande festival.
Na era dos smartphones, Parintins é, ainda, a maior concentração de blogueiras e vlogueiras por metro quadrado. Profissionais ou amadores, todos querem dizer ao mundo que está na ilha, onde todos deveriam estar pelo menos uma vez na vida.

Dress code
A roupa de ir pode parecer básica: roupas leves e tênis. Porém, em vermelho, azul e branco, com acessórios irreverentes. Chapéus que protegem da insolação com exuberância criativa dos artesãos. Leques que servem para abanar e para sonorizar saudações. E tem os trabalhadores dos governos e da imprensa que andam de cores neutras performando a neutralidade.
Expectativa
Tudo faz crescer a expectativa sobre a grande disputa que são os espetáculos de brinquedos agigantados dos bois bumbás. O último fim de semana de junho é a grande final da temporada bovina, que inicia logo depois do carnaval e que se alimenta da rivalidade, nem sempre saudável, entre Garantido e Caprichoso.
Tem que ir para saber
Quando alguém pede para descrever o festival de Parintins, é mais fácil responder que “tem que ir para saber”.
As noites das apresentações são mágicas, dentro e fora do palco sagrado. Dentro do bumbódromo, vê-se a magia acontecer: são efeitos de luz e cores, das batidas de batucada e marujada, da energia que só a experiência é capaz de explicar. Fora, vê-se a magia acontecer de uma outra perspectiva: os módulos entrando e saindo, o elenco se enfileirando para a entrada, empurradores, guindastes.
“Tem que ir para saber”
Fotos: BNC Amazonas
