Tiro em portaria expõe guerra interna em condomínio de Manaus
Moradores do residencial Jardim Encontro das Águas, no Dom Pedro, relatam destituição irregular de síndica, perseguições e troca forçada de segurança. Entenda o caso!
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 18/01/2026 às 17:49 | Atualizado em: 19/01/2026 às 06:24
Um disparo inesperado de arma de fogo dentro da cabine de portaria assustou moradores do Residencial Jardim Encontro das Águas, no bairro Dom Pedro, em Manaus.
O caso ocorreu na manhã deste domingo (18 de janeiro) e elevou a tensão em meio a uma disputa interna pela administração do condomínio.
Conforme imagens das câmeras de segurança, a cabine abrigava dois vigilantes no momento do disparo.
Segundo relatos de moradores, um dos profissionais já atuava no condomínio, enquanto o outro havia sido inserido recentemente no posto.
Ainda de acordo com as imagens, a arma do vigilante recém-chegado caiu do suporte e efetuou o disparo dentro da guarita. Ninguém ficou ferido.
Entenda o conflito
Moradores relatam que o clima de instabilidade começou em 2025, com o aumento de tensões ligadas à gestão do condomínio e à cobrança de débitos antigos.
Segundo os moradores ouvidos pelo BNC Amazonas, parte das dívidas de condôminos inadimplentes vinha sendo cobrada. Nesse contexto, a policial aposentada Abisaí Machado Mendes passou a pressionar a administração.
Moradores dizem que ela se revoltou após não conseguir impedir medidas judiciais relacionadas a um imóvel ligado a uma conhecida do lugar, que estaria em leilão por débitos acumulados.
A partir daí, segundo os relatos, começaram episódios de perseguição, agressividade e autoritarismo, direcionados principalmente à síndica.
Perseguição
Um morador afirmou que a síndica sofreu gritos na porta de casa, intimidações e vigilância prolongada em frente ao imóvel.
Ele relata que ela passou mal durante um dos episódios e teve crise de pânico dentro da própria residência. O caso gerou registro de boletim de ocorrência e processos junto à Justiça.
“Imagina, você tá na sua casa, uma pessoa gritando na frente dela e você sozinha…é um absurdo!”
Moradores citaram que após esse comportamento da policial, foram em busca de informações para contestar os episódios e descobriram mais processos e denúncias envolvendo crimes como perseguição, difamação e calúnia.
Destituição
O conflito se agravou após uma assembleia realizada em setembro de 2025, apontada por moradores como irregular.
Segundo condôminos, a reunião tratou da destituição da síndica, mas a votação teria mantido a gestora no cargo por maioria de votos.
Ainda assim, moradores afirmam que o resultado teria sido manipulado e usado para justificar a criação de uma comissão.
De acordo com os relatos, Abisaí Machado Mendes passou a liderar esse grupo com mais dois moradores.
“Tudo de boca, nada formalizado, tudo na marra!”
Desde então, condôminos dizem que a comissão se autointitulou como representante legal do condomínio.
Intervenções
Moradores afirmam que, após a assembleia, decisões começaram a ocorrer sem formalização e sem transparência.
Eles citam demissões, rescisões e ordens verbais dentro da administração do residencial.
Além disso, relatam a troca da empresa de segurança para a de um conhecido da policial aposentada.
Segundo os relatos, a comissão passou a agir como se tivesse autoridade total sobre contratos e funcionários.
“É esse o caos que estamos vivendo aqui”, resumiu um morador.
Administração
Na semana passada, moradores relatam que a situação piorou com entrada forçada na administração.
Segundo imagens gravadas, houve acionamento de chaveiro, invasão do espaço e tomada de controle do local.
Condôminos também citam a demissão irregular de uma supervisora, sem a presença dela e sem rito formal.
A profissional teria ficado abalada e decidido não retornar ao trabalho, mas que entraria com ações trabalhistas contra o condomínio, que agora teme prejuízos financeiros.
Justiça
Moradores afirmam que já acionaram a Justiça para contestar a destituição e pedir liminar que restabeleça a gestão e a paz no lugar.
No entanto, o recesso natalino do Judiciário teria atrasado decisões e ampliado a instabilidade no condomínio.
Segundo condôminos, o jurídico já informou os últimos acontecimentos e busca acelerar uma resposta.
Após o disparo, moradores cobram medidas urgentes para evitar novos incidentes e reduzir o risco no residencial.
“Nosso condomínio era tão bom, tão tranquilo, só mora família. Mas a gente não pode se calar diante disso, está algo muito grave”, relatou uma moradora.
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Foto: reprodução/vídeo
