Suspeita de contaminação leva MPF a fiscalizar rios de terra indígena no Amazonas
Vistoria vai analisar estruturas da Mineração Taboca após denúncias de alterações na água e morte de animais na Terra Indígena waimiri-atroari
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 19/06/2026 às 05:26 | Atualizado em: 19/06/2026 às 05:26
O Ministério Público Federal (MPF) e a Agência Nacional de Mineração (ANM) definiram a realização de uma fiscalização para apurar possíveis impactos ambientais em rios da terra indígena waimiri-atroari, no Amazonas.
A vistoria, prevista para ocorrer ainda em junho, terá como foco as estruturas da Mineração Taboca S.A., localizadas em Presidente Figueiredo, após denúncias de alterações na qualidade da água e morte de animais na região.
Conforme publicação do g1, a investigação busca esclarecer possíveis danos no igarapé Jacutinga e nos rios Tiaraju e Alalaú, que atravessam a terra indígena. A suspeita é de que as atividades da unidade industrial de Pitinga possam estar relacionadas aos impactos relatados por moradores e lideranças indígenas.
A definição da fiscalização ocorreu durante reunião realizada em 29 de maio, em Manaus, entre representantes do MPF e técnicos da ANM. A agência informou que irá inspecionar as estruturas e o sistema de drenagem do empreendimento.
Segundo o Ministério Público Federal, a vistoria será realizada durante o período de estiagem, permitindo avaliar as condições das estruturas antes da chegada das chuvas mais intensas. Após a inspeção, a ANM terá prazo de 15 dias para encaminhar um relatório técnico ao órgão.
Denúncias
A apuração começou após denúncias apresentadas pela Associação Comunidade Waimiri-Atroari (ACWA). De acordo com as lideranças indígenas, houve mudanças na cor e no sabor da água, além do registro de mortes de peixes, peixes-boi e quelônios.
Laudos elaborados pela empresa Aqua Viridi Microalgas Serviços Ambientais Ltda., contratada pela associação, identificaram a presença de metais como alumínio, chumbo e mercúrio em pontos dos rios e do igarapé monitorados.
Conforme o MPF, alguns resultados apontaram concentrações acima dos limites estabelecidos pela legislação brasileira. O órgão informou ainda que busca apoio de instituições especializadas para aprofundar as análises e identificar a origem dos metais encontrados.
“Se o sistema atual de contenção da mineradora é insuficiente para o regime climático da região, a empresa tem o dever jurídico de adequar sua infraestrutura para impedir a continuidade do dano ambiental”, afirmou o procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, responsável pelo caso.
Leia mais no g1.
Leia mais
Contaminação de rio na terra dos waimiris no Amazonas volta a ser investigada
Foto: reprodução/Observatório da Mineração
