Senador pede R$ 687,3 milhões do Fundo Amazônia para combater o coronavírus
Na Amazônia brasileira há 11.534 casos confirmados e 699 mortes
Da redação do BNC AMAZONAS em Brasília
Publicado em: 29/04/2020 às 06:47 | Atualizado em: 29/04/2020 às 06:49
O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, recebeu nesta terça-feira, 28, um pedido do senador do Amazonas, Plínio Valério (PSDB).
Por meio do Ofício nº 148/2020, o parlamentar pede que a diretoria do banco examine a aplicação dos recursos do Fundo Amazônia no combate à pandemia da Covid-19.
Os recursos, na ordem de R$ 687.310.502,37, seriam investidos somente na Amazônia brasileira. É nessa região que o fundo prioriza suas ações.
Nove estados fazem parte da Amazônia brasileira: Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
“Esse montante seria de grande importância para se ampliar a infraestrutura do combate ao coronavírus na Amazônia brasileira, onde as condições sanitárias se mostram extremamente precárias”, afirma Plínio Valério.
Criado em 2008, o Fundo Amazônia já chegou a ter R$ 3 bilhões. É patrocinado pela Alemanha e Noruega. A Petrobras também chegou a contribuir.
População deve ser objetivo do fundo
Ao justificar o pedido ao BNDES, o senador Plínio Valério diz saber que os contratos originais, que garantem recursos ao fundo, são para o combate ao desmatamento e a projetos de uso sustentável do bioma.
Na opinião do parlamentar, esses conceitos envolvem, claramente, a população amazônica, a grande responsável pela preservação da floresta.
“E o homem, os índios e os povos da floresta não pertencem a esse bioma? Portanto, eu acho justo usar esse dinheiro do Fundo Amazônia para ajudar os estados a combater o coronavírus”, diz Plínio Valério.
Citando o prefeito o prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, o senador lembra que a Amazônia “vive um caos sanitário provocado pelo novo coronavírus”.
Por conta disso, falta pessoal médico, alguns hospitais armazenam corpos em caminhões frigoríficos, e os cemitérios começam a abrir valas comuns para atender a uma demanda crescente.
Na expressão de Artur Neto, “é um quadro em vida de um filme de horror e a situação não é de emergência, é de calamidade absoluta”.
Pedido de socorro internacional
No ofício, em que justifica a liberação do Fundo Amazônia, Plínio informa que o prefeito de Manaus enviará um pedido de ajuda aos principais líderes dos governos internacionais.
O chefe do Poder Executivo da capital amazonense está escrevendo cartas e gravando vídeos para enviar ao G20.
Fazem parte do Grupo dos 20 os oito países mais ricos do mundo (G8) e 12 países emergentes, como a China, Coreia do Sul, Austrália e Brasil.
No documento, Artur diz que a Amazônia faz tanto pela comunidade internacional, segurando a temperatura com sua floresta e seus rios.
“Agora, é a hora de eles (o mundo) devolverem essa prestação de serviço, com médicos voluntários, medicamentos, equipamentos. É um pedido de socorro da Amazônia, com humildade e altivez”, diz o prefeito.
Covid-19 na Amazônia Brasileira
De acordo com o boletim epidemiológico desta terça-feira, 28, divulgado pelo Ministério da Saúde, os nove estados da Amazônia brasileira estão com 11.534 casos confirmados e 699 mortes.
Os números da região representam 16% do total de casos confirmados no país (71.534) e 13,93% de todos os óbitos (5.017) das 27 unidades da federação.
Os 4.337 casos de coronavírus no estado do Amazonas representam 37,6% de toda a Amazônia Brasileira e 50,21% do total de mortes na região.
Os casos de Covid-19 nos nove estados da Amazônia estão assim distribuídos:
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

