Entre a cheia e o recuo, rio Branco segue ameaçando comunidades

Águas avançam sobre áreas próximas à ponte dos Macuxi enquanto nove municípios seguem em situação de emergência.

Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 08/06/2026 às 12:30 | Atualizado em: 08/06/2026 às 12:32

Quem atravessa a Ponte dos Macuxi encontra um retrato da cheia que mantém Roraima em alerta. Às margens da BR-401, áreas antes ocupadas pela vegetação deram lugar à água, enquanto comunidades próximas já convivem com os impactos da subida do rio Branco.

O avanço das águas ocorre em meio a um período de chuvas intensas que mantém nove dos 15 municípios do estado em situação de emergência. Além disso, todo o território roraimense segue sob alerta amarelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com previsão de chuvas entre 20 e 30 milímetros por hora, acumulados de até 50 milímetros por dia e ventos de até 60 quilômetros por hora.

Na última sexta-feira (5), o rio Branco atingiu 8,23 metros em Boa Vista, ficando a apenas 27 centímetros da cota de inundação, estabelecida em 8,50 metros. Dois dias depois, o nível recuou para 7,92 metros, segundo o 14º Boletim Extraordinário de Alerta Hidrológico da bacia do rio Branco.

Apesar da redução, especialistas alertam que o rio continua acima da normalidade para esta época do ano. O próprio boletim destaca que os rios da região ainda estão em processo natural de enchente e podem voltar a subir ao longo do período chuvoso.

Cheia vista do alto

Imagens divulgadas pelo piloto Edson Portela em seu perfil no Instagram ajudam a dimensionar os impactos da cheia. Durante um sobrevoo na região da Ponte dos Macuxi, o vídeo mostra a água avançando sobre áreas às margens da BR-401 e atingindo comunidades próximas.

Para quem cruza a ponte, inaugurada em 1975 sobre o rio Branco, a cena é evidente: trechos da rodovia já estão alagados, revelando o avanço das águas em uma das principais ligações terrestres da região.

Principal recurso hídrico de Roraima, o rio Branco nasce da união dos rios Tacutu e Urariquera e atravessa o estado até desaguar no rio Negro, na divisa com o Amazonas.

Lembrança da maior enchente

A maior cheia já registrada ocorreu em junho de 2011, quando o rio alcançou 10,28 metros na capital. Na época, houve transbordamentos, famílias ficaram desabrigadas e o governo decretou situação de emergência.

Embora as previsões indiquem redução dos níveis no curto prazo, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) alerta que os rios da bacia do rio Branco permanecem acima da normalidade para esta época do ano, exigindo atenção contínua das autoridades e da população.

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Foto: reprodução/vídeo