El Niño ameaça plantio, pecuária e inflação no 2º semestre

A previsão de chuvas muito abaixo da média combinada a altas temperaturas pode resultar em seca extrema e queimadas.

El Niño ameaça plantio, pecuária e inflação no 2º semestre

Da redação do BNC Amazonas

Publicado em: 12/07/2026 às 09:44 | Atualizado em: 12/07/2026 às 09:44

A chegada do El Niño a partir do segundo semestre deste ano acendeu o sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico na linha do Equador, o fenômeno altera drasticamente a distribuição de chuvas e temperaturas, desenhando um cenário de forte incerteza para o campo.

Desta vez, a preocupação é ainda maior: a Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) divulgou que a chance de um evento de forte intensidade no final do ano subiu para 81%. Na esteira dessa previsão, analistas e o mercado já falam na chegada de um “super El Niño” — termo não técnico, mas utilizado para ilustrar o potencial destrutivo do fenômeno em comparação com anos anteriores.

O impacto por Região: da Seca na Amazônia ao atraso dos grãos

Por se tratar de um país de dimensões continentais, os efeitos não serão uniformes. “A produção agropecuária brasileira está espalhada em diversas porções do território, então não há um único impacto do El Niño.

Como resultado, cada região deve sentir o fenômeno de um jeito”, explica o pesquisador Felippe Serigati, do centro de estudos FGV Agro.

  • – Na Amazônia: o cenário é de alto risco. A previsão de chuvas muito abaixo da média combinada a altas temperaturas pode resultar em seca extrema e queimadas. Cultivos consolidados e em expansão na região — como o cacau, a mandioca, o açaí e a soja (no sul da região) — enfrentam ameaça direta de perdas agrícolas.
  • – No Centro-Sul e fronteiras agrícolas: analistas alertam para o atraso no plantio das safras de grãos, especialmente a soja e o milho. Há também o risco de redução no volume colhido, perda de qualidade das safras e severas dificuldades para o manejo da pecuária.

“A gente sabe que vai ter um El Niño, mas ainda não tem a dimensão das possíveis perdas caso os eventos sejam extremos”, pondera Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global. Ele aponta que, além dos grãos, a produção de cana-de-açúcar e de hortaliças está na linha de frente das ameaças.

Uma tempestade perfeita de custos e inflação

O El Niño chega em um momento em que o produtor rural brasileiro já opera com margens apertadas. O setor enfrenta o peso dos juros elevados no mercado interno e uma severa pressão nos custos de produção decorrente da guerra no Irã.

Além disso, o conflito internacional gerou um forte choque de oferta, encarecendo insumos vitais como o diesel e os fertilizantes.

Diante do duplo impacto — os custos da guerra e a iminente quebra de oferta por fatores climáticos —, economistas já revisaram para cima as projeções para a inflação de alimentos.

Desse modo, o consumidor final deve sentir o reflexo mais rápido nas gôndolas dos supermercados através dos produtos de hortifruti; por terem um ciclo de produção mais curto, esses itens costumam responder de forma imediata aos choques de abastecimento no campo.

Leia mais em Folha de S.Paulo.

Leia mais

El Niño é oficialmente confirmado e pode atingir intensidade histórica, alerta NOAA

Foto: Alex Pazuello/Secom