Tapiri Ecumênico e inter-religioso mobiliza vozes da fé e das minorias na COP-30
Tapiri Ecumênico reunirá vozes da fé e das minorias na COP-30.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 03/11/2025 às 18:08 | Atualizado em: 03/11/2025 às 18:09
A Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) marca sua presença na COP-30, que acontece em Belém, no Pará, entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025.
A entidade, de 52 anos e que reúne as principais igrejas cristãs brasileiras, vai levar à cúpula dos povos o “Tapiri Ecumênico e Inter-Religioso”.
“O Tapiri reafirma seu papel como uma coalizão comprometida com a promoção da justiça social, dos direitos humanos e da defesa dos territórios, atuando como uma ponte essencial entre fé, democracia e justiça climática”, afirma a diretora-executiva da Cese, Sonia Mota.
O espaço de debates terá como sede a catedral Anglicana de Santa Maria, em Belém. E vai reunir, entre os dias 11 e 16 de novembro, lideranças indígenas, quilombolas, religiosas, de terreiro, da juventude e mulheres.

Desse modo, as discussões e plenárias do “Tapiri Ecumênico” estão estruturados em torno dos seguintes temas: água, território e soberania dos povos, justiça climática, transição justa, popular e inclusiva. E ainda o protagonismo de juventudes, crianças, adolescentes, mulheres e diversidades LGBTQIAPN+.
Fé e ação coletiva
Em um cenário onde as mudanças climáticas aprofundam desigualdades e ameaçam vidas, a iniciativa do Tapiri busca conectar comunidades de base, lideranças religiosas e movimentos sociais em um esforço conjunto por um futuro sustentável e inclusivo.
Assim, de acordo com Sonia Mota, a articulação destaca a importância de integrar espiritualidade, território e ação coletiva no enfrentamento do racismo ambiental, do racismo religioso e das violações de direitos.
“O Tapiri se manifesta como uma das vozes a sublinhar o papel das diferentes tradições de fé na construção de soluções reais e participativas para a crise climática. Esta abordagem reconhece a interdependência intrínseca entre os direitos socioambientais, a dignidade humana e a democracia, ressalta a diretora-executiva da Cese.
Destaques da programação
A agenda do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso será marcada por diálogos com a participação de diversas lideranças e organizações.
A Mística de Abertura, por exemplo, será conduzida por Mametu Nangetu e Ninawa Inu Pereira Nunes Huni Kui, lideranças religiosas do Pará e Acre.
Outros debates sobre justiça climática, democracia e direito à vida vão reunir na mesma mesa o bispo católico dom Vicente Ferreira e bispa Marinez Bassotto, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).
Assim como o evento terá a presença de representantes dos povos Maori, da Nova Zelândia, da América Latina, de universidades da União Europeia, Alemanha, China e de Feira de Santana, da Bahia.
“A programação do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso está totalmente integrada aos quatro eixos centrais da Cúpula dos Povos, representando um processo de articulação de lutas e resistência. E nosso objetivo central é pressionar por metas climáticas mais ambiciosas e garantir que as vozes dos territórios e das periferias sejam ouvidas no caminho para a COP-30”, destacou Sônia Mota, da Cese.
Coalização
O Tapiri Ecumênico e Inter-religioso é uma rede que congrega dezenas de organizações, totalizando 51 entidades.

Dentre os parceiros que integram a coalizão estão o Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (Caic), a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), a Repam Brasil, o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida e o Conselho Mundial de Igrejas Cristãs.
Já a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese) tem representações das seis igrejas cristas ligadas ao “protestantismo histórico”: Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Presbiteriana Independência, Igreja Evangélica de Confissão Luterana, igreja Episcopal Anglicana, Alianças Batistas e a Igreja Católica.
Fotos: divulgação
