Daikin sinaliza expansão e reforça aposta no polo de ar-condicionado da ZFM
Gigante japonesa discute novos investimentos em segmento estratégico que abastece o mercado brasileiro a partir de Manaus
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 16/06/2026 às 18:49 | Atualizado em: 16/06/2026 às 19:10
A indústria de condicionadores de ar da Zona Franca de Manaus (ZFM), responsável por praticamente todo o abastecimento do mercado brasileiro, recebeu mais um sinal de confiança de um dos principais players globais do setor.
Durante visita técnica da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) à unidade da Daikin em Manaus, neste mês, a multinacional japonesa manifestou interesse em ampliar investimentos e aprofundar a verticalização da cadeia produtiva instalada no Amazonas.
A agenda reuniu dirigentes da Suframa e executivos da fabricante para discutir competitividade, inovação tecnológica e os desafios regulatórios que envolvem o segmento de climatização, considerado um dos mais relevantes do polo industrial da ZFM.
Segundo a autarquia, a empresa destacou planos de fortalecimento das operações locais e a importância de um ambiente regulatório estável para sustentar novos aportes.
A Daikin está entre as líderes mundiais do setor HVAC (aquecimento, ventilação e ar-condicionado) e mantém produção em Manaus desde 2011.
A fábrica amazonense atende o mercado nacional com equipamentos residenciais e comerciais, inserindo-se em uma cadeia industrial que transformou o Amazonas em um dos maiores polos fabricantes de ar-condicionado do planeta.
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Segmento estratégico para a economia nacional
O setor de condicionadores de ar tornou-se um dos pilares da indústria da Zona Franca de Manaus.
O crescimento da demanda por climatização, impulsionado pelas ondas de calor registradas nos últimos anos, elevou a produção local a níveis recordes.
Dados do Governo do Amazonas apontam que a fabricação de aparelhos passou de 5,9 milhões para 6,3 milhões de unidades em 2025, consolidando o polo amazonense como centro nacional da indústria de climatização.
Na prática, o ar-condicionado consumido pelos brasileiros é produzido majoritariamente nas fábricas instaladas em Manaus, onde operam gigantes globais como Daikin, Midea Carrier, LG, Samsung, Gree, Elgin e outras fabricantes do setor.
PPB foi decisivo para destravar investimentos
A sinalização de novos investimentos da Daikin ocorre poucos meses após a solução de um dos principais impasses enfrentados pela indústria de climatização da ZFM: a atualização do processo produtivo básico (PPB) dos condicionadores de ar.
Ao longo de 2025, fabricantes reunidas na Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) alertaram para dificuldades no cumprimento das exigências de nacionalização de compressores, componente essencial para a produção dos equipamentos.
O problema ameaçava a competitividade do setor e poderia provocar redução de produção e impactos sobre empregos.
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A pressão da indústria levou o governo federal a revisar as regras. As novas portarias do PPB flexibilizaram exigências e adequaram os cronogramas de nacionalização à realidade da cadeia produtiva, medida considerada fundamental por entidades empresariais e pelo setor industrial do Amazonas.
A Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam) classificou a atualização como um marco regulatório estratégico para garantir segurança jurídica, modernização produtiva e continuidade dos investimentos no segmento.
Próximo passo é atrair fornecedores
Apesar da solução do impasse regulatório, o setor trabalha agora para ampliar a produção nacional de componentes, especialmente compressores, reduzindo a dependência de poucos fornecedores.
Em reuniões realizadas neste ano em Brasília, representantes do Governo do Amazonas e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços defenderam a atração de novas fábricas de compressores para Manaus como forma de fortalecer a cadeia produtiva local e evitar novos gargalos.
Nesse contexto, a disposição da Daikin de ampliar sua presença industrial no Amazonas é vista como mais um indicativo de confiança no futuro do polo de climatização da Zona Franca de Manaus, um segmento que se tornou estratégico não apenas para a economia regional, mas para o abastecimento de todo o mercado brasileiro.
Foto: divulgação
