Barco voador atende à certificação da Marinha, diz criador do projeto

Na semana passada, deputado federal afirmou ao BNC Amazonas que o projeto tem potencial, mas precisa de regulação.

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 29/12/2025 às 13:09 | Atualizado em: 29/12/2025 às 13:12

Em vídeo promocional, o engenheiro mecânico Lucas Guimarães, um dos cofundadores da Aeroriver, empresa que desenvolve o barco voador, disse que o veículo vai operar na Amazônia seguindo as normas estabelecidas pela Marinha.

Na semana passada, o deputado federal Amom Mandel (Cidadania) afirmou ao BNC Amazonas que o projeto tem potencial, mas precisa passar por regulação.

“O potencial existe, mas só faz sentido se houver segurança, certificação clara, regra definida e impacto socioambiental comprovado. O maior desafio hoje não é engenharia, é regulação. Sem isso, qualquer projeto cai num limbo jurídico”, diz o parlamentar.

Por sua vez, o idealizador do projeto afirma que, por ser projetado para utilizar os rios da região, o barco vai obedecer aos “critérios e a certificação feita pela Marinha”.

“Esse veículo vai ter a capacidade de transportar 10 passageiros ou uma tonelada de carga a 150 quilômetros por hora, utilizando como malha, como via os rios que interligam a maioria das cidades da região amazônica”, disse Guimarães.

Ele afirma que a empresa está criando soluções inovadoras para revolucionar o transporte na região amazônica.

“E o porquê disso? A região amazônica tem um potencial socioeconômico gigantesco, só que esse potencial é travado por um problema crônico, a logística”, justifica.

O engenheiro ressalta que existem cidades no interior do Amazonas em que se demora mais três dias para chegar utilizando o barco, que é o principal meio de transporte da região.

“A malha rodoviária que existe lá é muito pequena e cheia de problemas e o transporte aéreo também é muito pouco utilizado, porque além de muito caro, atende poucas cidades”, observa.

O cofundador da Aeroriver diz ainda que o veículo é muito econômico. “Ele chega a ser 40% mais barato do que o avião sendo projetado comparado com uma aeronave da mesma categoria”, prevê.

Na avaliação dele, o veículo vai trazer “benefícios gigantescos para a região amazônica, fazendo com que esse problema logístico seja resolvido e esse potencial socioeconômico seja, enfim, destravado”.

Operação

Segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o barco Volitan vai entrar em operação no Amazonas já no próximo ano.

A pasta apoia o projeto da startup, feito em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), com recursos de R$ 10 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

A Finep diz que o barco terá 18 metros de comprimento e poderá percorrer uma distância de até 450 quilômetros sem reabastecer.

O Volitan vai operar a uma altura de cinco a 10 metros da água. Além disso, o veículo emite menos CO2 do que embarcações e aeronaves.

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Foto e vídeo: divulgação