Amazônia: MPF denuncia que agro usa veneno para expulsar indígenas de aldeias

Adultos e crianças da aldeia Aperoí apresentam feridas e sintomas de intoxicação; Ministério Público pede R$ 3,6 milhões em indenização

Publicado em: 09/06/2026 às 21:05 | Atualizado em: 09/06/2026 às 21:36

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça contra um proprietário rural e dois arrendatários acusados de usar agrotóxicos para contaminar e intimidar indígenas da aldeia Aperoí, do povo Puruborá, em Seringueiras (Rondônia).

Segundo o MPF, os produtos químicos teriam sido utilizados como forma de pressionar a comunidade a deixar a área em disputa. A ação pede uma indenização de R$ 3,6 milhões e a suspensão imediata do uso dos pesticidas, entre eles substâncias consideradas altamente tóxicas.

De acordo com as investigações, adultos e crianças apresentam lesões na pele, náuseas, dores de cabeça e outros sintomas associados à intoxicação. Uma das famílias precisou abandonar a aldeia devido à contaminação.

A cacica Hosana Puruborá afirmou que as pulverizações, que antes eram feitas por aviões, agora seriam realizadas com drones. Ela relata que a comunidade sofre ameaças constantes e teme pela saúde dos moradores.

O MPF também aponta denúncias de incêndios, disparos de arma de fogo e destruição de uma maloca considerada sagrada pelos indígenas.

Reconhecido oficialmente pela Funai desde 2002, o povo Puruborá aguarda a demarcação definitiva do território, processo que segue paralisado há anos.

Enquanto isso, o avanço das lavouras de soja e os conflitos na região aumentam a situação de vulnerabilidade da comunidade.

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Foto: EBC