Amazônia: manejo do pirarucu será pioneiro no pagamento por serviços ambientais

Pescadores e manejadores se reuniram no Ministério do Meio Ambiente para discutir os rumos da iniciativa

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 05/09/2025 às 16:35 | Atualizado em: 05/09/2025 às 18:56

Pescadores da Reserva de Mamirauá, no Amazonas, participaram esta semana, em Brasília, de uma oficina, no Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática (MMA), onde o debate foi a implantação e regulamentação da Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

O foco central dessa política, do governo federal, é o manejo sustentável do pirarucu da Amazônia. Isso porque a cadeia do pescado é considerada referência na integração entre sustentabilidade, organização comunitária e fortalecimento econômico local.

Dessa forma, o projeto de pagamentos por serviços ambientais quer aliar conservação da biodiversidade e geração de renda para comunidades da sociobiodiversidade.

Representando os manejadores de pirarucu, o pescador Pedro Canízio, da Reserva Mamirauá, do Amazonas, falou sobre a importância de participar do projeto-piloto do PSA e parceria com o poder público.

“A gente sabe a dificuldade que é manter o estoque de pirarucu, mas também as conquistas dessa luta. Essa parceria é fundamental para que a gente siga fortalecendo nosso trabalho e garantindo que todo ano haja peixe para a cota”, disse Canízio.

Gigante da água doce

Um dos símbolos da Amazônia, o pirarucu, conhecido como o gigante da água doce, pode atingir até 4,5 metros de comprimento e pesar 200 quilos.

Em um passado recente, o pirarucu já foi ameaçado de extinção pela pesca predatória, mas, nos últimos anos, novas práticas de manejo criaram um ambiente favorável ao peixe, que viu sua população crescer em áreas destinadas à conservação.

A experiência ocorre na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá – a primeira do Brasil -, no Amazonas, beneficiando 1.300 famílias, 8 territórios e 45 coletivos de manejo de pirarucu em 9 municípios.

O projeto busca agregar valor ao pirarucu manejado, expandir o acesso a novos mercados e conquistar consumidores que valorizam produtos com impacto ambiental e social positivo.

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Projeto-piloto

No encontro de Brasília, o projeto-piloto do pirarucu foi apresentado pela diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia da Secretaria Nacional de Bioeconomia do MMA, Bruna De Vita.

Segundo ela, a iniciativa será referência para orientar a implementação da política nacional de PSA, com ampliação dos instrumentos de valorização de quem conserva a floresta em pé e promove cadeias sustentáveis na Amazônia.

Transição ecológica

Presente na 14ª reunião do Coletivo do Pirarucu, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que iniciativas como o manejo comunitário sustentável apoiam a transição ecológica justa e inclusiva, além de conciliarem conhecimentos tradicionais dos pescadores com tecnologia.

“Fazer o manejo do pirarucu é transformá-lo em um novo ciclo de prosperidade, unindo as ciências dos técnicos e biólogos com a ciência que vocês trazem até nós”, declarou.

Marina Silva ressaltou ainda que o manejo representa um avanço em relação às ações já existentes de comando e controle, uma vez que a abordagem proposta vai além para não só combater a pesca predatória e o desmatamento, mas estruturar políticas públicas.

“É aí que entra o componente da bioeconomia, que a prosperidade seja fruto da preservação do rio, da floresta, da biodiversidade, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. Essa é a verdadeira mudança e a transformação que será duradoura”, afirmou a ministra.

Coletivo do Pirarucu

A oficina foi desenvolvida em parceria com o Coletivo do Pirarucu, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Projeto Floresta+ Amazônia, do MMA e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

“Nessa oficina, trabalhamos exemplos concretos de como associar pagamentos por serviços ambientais à produção na Amazônia. Queremos, portanto, que a política esteja diretamente associada a quem protege e produz. E o Coletivo do Pirarucu é um exemplo concreto disso”, destacou a secretária nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta.

Foto: Divulgação