A sombra de Washington sobre o Amazonas
Sob o pretexto da guerra ao narcoterrorismo, Washington projeta sombra sobre a soberania brasileira e coloca o estado do Amazonas na rota de operações extraterritoriais e pressões diplomáticas.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 16/03/2026 às 05:59 | Atualizado em: 16/03/2026 às 06:00
A reportagem publicada pela Folha de S.Paulo acende um sinal de alerta vermelho para o Amazonas. O que parece ser uma decisão burocrática em Washington, a classificação do Comando Vermelho (CV) e do PCC como organizações terroristas por Donald Trump, é, na verdade, a peça que faltava para um xadrez geopolítico que tem a Amazônia como o tabuleiro principal.
Para o leitor de Manaus, essa notícia não é apenas sobre segurança pública; é sobre soberania e o controle das riquezas regionais. Entenda por que o Amazonas está no olho desse furacão:
O Amazonas como “alvo legítimo” de intervenção
A reportagem da Folha destaca que o CV exerce hegemonia no Amazonas. Ao carimbar essa facção como “organização terrorista”, Trump não está apenas combatendo o tráfico; ele está criando a base jurídica para que o Exército dos EUA ou a CIA operem em solo estrangeiro sob o pretexto de “segurança nacional”.
Os americanos já fizeram isso na região, quando invadiram a Venezuela. Ali, prenderam o ditador Nicolás Maduro sob argumento de ser chefe de organizações narcoterroristas.
Para o Amazonas, que divide fronteiras porosas com Colômbia e Peru (países também monitorados de perto pelos EUA), isso significa que a floresta pode se tornar cenário de operações militares americanas “extraterritoriais”. Manaus, como centro logístico da região, ficaria sob vigilância direta.
O narcotráfico como pretexto para o minério estratégico
Sem ingenuidade, o interesse de Trump na Amazônia brasileira não é apenas para “prender traficantes”. O Amazonas senta-se sobre algumas das maiores reservas de minérios estratégicos do mundo — nióbio, potássio e terras raras — fundamentais para a indústria tecnológica e militar dos EUA.
A estratégia é clara: ao rotular o crime organizado local como terrorismo, Washington ganha a “chave” para entrar na região. Sob o argumento de asfixiar as finanças do CV, que muitas vezes se infiltra em garimpos ilegais, os EUA podem passar a ditar quem pode e quem não pode explorar o subsolo amazonense, sancionando empresas locais e travando o desenvolvimento regional em nome da “Guerra ao Terror”.
Impacto na economia de Manaus e no sistema financeiro
A Folha alerta para as punições a instituições financeiras. No Amazonas, onde a economia gira em torno do Polo Industrial de Manaus (PIM) e de grandes transações logísticas, o risco é imenso. Qualquer banco ou empresa local que, mesmo sem saber, tenha processado recursos de indivíduos ligados indiretamente a essas facções, poderá sofrer sanções severas do Tesouro Americano. Isso pode paralisar linhas de crédito para o comércio de Manaus e isolar o estado do sistema financeiro internacional.
A pressão por “Guantánamos” no Brasil
A proposta de Trump para que o Brasil receba estrangeiros capturados em prisões de alta segurança é um eco perigoso do modelo de El Salvador. Considerando que o sistema penitenciário do Amazonas já viveu crises sangrentas e é um dos principais “escritórios” das facções, transformar o estado em um depósito de prisioneiros internacionais (como sugerido na negociação) seria como jogar gasolina em um incêndio.
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Conclusão
O encontro de Lula com Trump em abril será decisivo, mas para o povo do Amazonas, o recado já é claro. A tentativa de “americanizar” o combate ao crime organizado no Brasil tem um endereço certo: a nossa fronteira e as nossas riquezas.
O que a Folha descreve como “atritos diplomáticos”, aqui no Norte, pode-se ler como o risco real de uma presença militar estrangeira indesejada em nosso quintal, usando o pretexto da segurança para garantir o acesso aos recursos do futuro.
Foto: reprodução
