Desemprego feminino
Publicado em: 05/11/2009 às 00:00 | Atualizado em: 05/11/2009 às 00:00
Ivânia Vieira*
Números divulgados por organismos internacionais nos últimos dias de outubro mostram um quadro extremamente difícil para mulheres e crianças em todo o mundo.
Na América Latina e Caribe o desemprego urbano atingiu 8,5% no segundo trimestre deste ano. Os dados são da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que não projetam mudança de cenário até o final de 2009.
São mais 2,5 milhões de pessoas desempregadas nos países da América Latina e no Caribe. O número total dos sem emprego na parte urbana dessa região somaria 8,4 milhões, informa o boletim conjunto dos dois organismos intitulado ‘Conjuntura laboral na América Latina e Caribe: Crise nos mercados laborais e respostas contracíclicas’. No ano passado essa taxa ficou em 7,5%.
Mulheres e crianças são as mais afetadas pela expansão do desemprego. Representantes da OIT falam da necessidade de “aumentar a igualdade de acesso e as oportunidades em relação ao desenvolvimento de competências laborais”.
Há coincidência de dados na abordagem desse tema. Publicada de cinco em cinco anos, a Pesquisa Mundial sobre o Papel da Mulher no Desenvolvimento, sob responsabilidade do Departamento de Assuntos Econômicos e sociais das Nações Unidas (ONU), identificou que os salários para as mulheres são 16,5% inferiores aos dos homens. O estudo aponta que na América Latina, mais da metade das pessoas sem renda (entre 20 e 24 anos de idade), executam trabalho doméstico não remunerado. Nesse segmento, é alta a presença das mulheres cuidando de crianças, doentes, idosos e outros membros da família.
A pesquisa coloca como questão de urgência repensar estratégias de crescimento e de capacitação econômica das mulheres como um posicionamento firme diante dos efeitos da crise econômica. Em Manaus, durante o 1º Encontro de Mulheres da Floresta (Emflor), nos dias 19, 20 e 21 de outubro, essa foi uma das reivindicações feitas. Falta a resposta governamental.
*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.
