O outro grito

Publicado em: 09/09/2009 às 00:00 | Atualizado em: 09/09/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

A 15ª edição do ‘Grito dos Excluídos e das Excluídas’, realizada na segunda-feira (7) em várias cidades brasileiras, simboliza o retorno do movimento social à cena pública. Em um período de ressaca, desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República, as organizações de resistência retomam o caminho da rua, o lugar na praça e refazem a pauta de reivindicações.

Funcionando como uma espécie de guarda-chuva das insatisfações populares, o Grito fez da sua romaria, no 7 de Setembro, uma síntese das graves questões, cujo enfrentamento tem sido ignorado e/ou minimizado pelos órgãos e agentes públicos. O mosaico das reivindicações (vale à pena passear na Internet ou pelas fotografias dos protestos ocorridos em praticamente todas as capitais brasileiras) exibe o acumulado nesses anos, não como uma derrota. Ao contrário, é parte do aprendizado, da construção de um novo papel para essas organizações e da inclusão de novas necessidades impostas ao movimento.

Compreender a ‘cidadania ativa’ da qual fala o arcebispo de Manaus, dom Luiz Soares Vieira, é parte dessa exigência. Se antes o slogan era pelo direito de ter cidadania, hoje o embate é decifrar o que é ser cidadã e ser cidadão, qual é o grau de responsabilidade imposto a quem se posiciona nessa condição.

O movimento social recomeça a sua investida. Nele, os jovens exercem um papel preponderante, não apenas porque neles está depositada a parcela maior da esperança de construir mudanças, mas pela enorme dívida que esse modelo de mundo deixa à juventude. Em várias regiões do mundo, os jovens estão sem horizonte e os governos discutem uma outra demanda. Então, é neles e com eles que o grito se realiza e se prepara para ecoar mais longe, em cores, poesia e na alegria.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

Tags