A gula do grill designer é vermelha
Publicado em: 30/08/2008 às 00:00 | Atualizado em: 30/08/2008 às 00:00
Gerson Severo Dantas*
Comer carne, sobretudo as vermelhas, não é um ato bem visto nos dias atuais. Tem até quem se jacte de só comer verduras, como se um camaleão fôssemos para comer apenas folhas e tubérculos. Somos hoje carnívoros envergonhados, pois carne engorda, dá colesterol, triglicerides, acelera o mau humor, deixa a barriga protuberante, dá uma preguiça danada, enfim traz as quatro bestas do apocalipse e nos aproxima mais do Todo Poderoso, como se já não estivéssemos, a cada dia, nas proximidades daquele que realmente manda na parada. Enfim, como nos ensina o filosofo, somos seres para a morte.
Pois bem, como estudioso teórico e prático de um assunto obscuro (assar carne) tenho a dizer que esse pequeno ato mudou a história da nossa espécie – homo sapiens, sapiens. Talvez não tivéssemos o sorriso bonito que ostentamos hoje, sobretudo quando temos dinheiro para cuidar dos nossos dentes se não fosse a obrigação de desenvolver nossos caninos para rasgar a carne, primeiramente crua e depois assada.
Mas o ato de assar a carne, um ato sagrado e admirado com água na boca por tantos nas mais diversas churrascarias do mundo, é um ato civilizatório, talvez o primeiro. Assar a carne reduziu os problemas de saúde decorrentes das infecções causadas pela carne crua, desenvolveu o paladar da espécie e sofisticou o homem. Assar carne foi a redenção da espécie, até mesmo visual, pois ver uma picanha na brasa, uma chuleta no alho, hummmmmm, nada se compara ao ato pré-alimentar de degustar uma carne assada com os olhos. Ah, que fome!!!!!!!!
* Filósofo, jornalista, mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Ufam.
