Negro puxa vazante, Madeira resiste e rios mudam de cenário no Amazonas
Rio Negro está quase um metro abaixo do nível registrado em 2025, enquanto verão amazônico favorece a descida das principais calhas do estado.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 27/07/2026 às 12:10 | Atualizado em: 27/07/2026 às 12:12
Os rios do Amazonas começaram a mudar de comportamento antes mesmo da chegada do pico da estiagem. Em Manaus, o rio Negro já está quase um metro abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025, enquanto Solimões e Amazonas também entraram em vazante. Na contramão desse movimento, apenas o rio Madeira segue em elevação.
O Negro marcou 27,68 metros nesta segunda-feira (27), após recuar 16 centímetros nos últimos três dias. Há um ano, na mesma data, a régua registrava 28,64 metros.
O comportamento se repete em outras regiões do estado. No alto Solimões, em Tabatinga, o rio atingiu 6,54 metros depois de baixar 8 centímetros nas últimas 24 horas. Já o rio Amazonas, em Itacoatiara, chegou a 12,93 metros, acumulando recuo de 13 centímetros nos últimos três dias.
Madeira foge à regra
Enquanto Negro, Solimões e Amazonas perdem volume, o rio Madeira mantém um comportamento diferente.
Em Porto Velho (RO), o nível subiu 1,41 metro nos últimos três dias, passando de 5,77 para 7,18 metros.
A diferença está nas características de cada bacia hidrográfica. Mesmo durante o verão amazônico, as chuvas nas áreas de nascente podem manter o Madeira em elevação.
Calor e o ritmo das águas
A mudança coincide com o início do verão amazônico, período menos chuvoso da região e marcado por temperaturas mais elevadas. Segundo especialistas, a redução das chuvas e da cobertura de nuvens aumenta a incidência de radiação solar sobre a superfície, enquanto a menor umidade do solo diminui o resfriamento provocado pela evaporação.
O resultado é um ambiente que favorece o avanço da vazante.
As projeções climáticas indicam que esse cenário pode ganhar força entre agosto e outubro. A previsão considera o fortalecimento do tão falado e sofrido El Niño e o aquecimento do Oceano Atlântico, fenômenos que tendem a reduzir ainda mais as chuvas sobre a Amazônia e elevar as temperaturas nos próximos meses.
Modelos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe) e da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) apontam temperaturas acima da média no trimestre, com possibilidade de novos recordes de calor em algumas regiões do estado.
Pelas cidades do Amazonas, inclusive, já é possível sentir o tempo seco e calor extremo sobre a pele.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já identificou o início da vazante nos rios Negro e Solimões. Embora os níveis ainda estejam próximos da média histórica, especialistas alertam que o pico da descida costuma ocorrer entre setembro e novembro, período em que aumentam os riscos de queimadas, restrições à navegação e dificuldades no abastecimento de comunidades ribeirinhas.
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Foto: divulgação/Prefeitura de Porto Velho
