Multinacional tira fábrica de São Paulo, onde estava há 70 anos

Saint-Gobain encerra fábrica da Isover em São Paulo após 70 anos e passa a importar a lã de vidro vendida no Brasil.

Publicado em: 27/07/2026 às 09:51 | Atualizado em: 27/07/2026 às 09:54

A multinacional Saint-Gobain vai encerrar a produção de lã de vidro da marca Isover na unidade de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, colocando fim a uma atividade industrial mantida no local por mais de 70 anos. A decisão retira do Brasil a fabricação desse produto e afeta diretamente mais de 100 trabalhadores, além de fornecedores, transportadoras e prestadores de serviços ligados à operação.

O encerramento da fábrica ocorre após um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Pelo cronograma estabelecido, a produção deveria ser interrompida até 4 de julho, enquanto o forno utilizado na fusão do vidro será desligado até 31 de julho, concluindo a paralisação das atividades industriais.

Apesar da desativação da fábrica, a Saint-Gobain permanecerá no mercado brasileiro. A unidade de Santo Amaro deixará de produzir lã de vidro e passará a funcionar como centro de distribuição, responsável pelo armazenamento e pela logística dos produtos da marca. Com isso, a lã de vidro comercializada pela Isover no país passará a ser importada de outras unidades internacionais do grupo.

A companhia informou que manterá suas demais operações industriais, comerciais e logísticas no Brasil, onde emprega mais de 12 mil pessoas. No entanto, ainda não detalhou quantos funcionários permanecerão na nova estrutura, serão transferidos ou deixarão o quadro da empresa.

Reclamações antigas

O fechamento da fábrica também encerra uma longa disputa envolvendo moradores da região. Nos últimos anos, a população apresentou reclamações sobre fumaça, odores e ruídos provocados pela operação industrial, além de relatar episódios de irritação nos olhos, desconforto respiratório e outros incômodos.

As denúncias levaram à atuação da Cetesb e ao acompanhamento do Ministério Público. Antes do acordo que definiu o encerramento da produção, a Isover informou ter implantado um plano de melhoria ambiental, com investimentos em isolamento acústico, redução de emissões e canais de atendimento à comunidade.

Mesmo com essas medidas, a empresa concordou em desativar a unidade industrial e seguirá responsável pelo imóvel. Além da transformação do espaço em centro de distribuição, a multinacional terá de administrar eventuais áreas contaminadas, destinar corretamente os resíduos e cumprir as exigências ambientais previstas no acordo.

O encerramento da produção marca o fim de uma das fábricas mais tradicionais da Isover no país e transfere para o exterior a fabricação da lã de vidro destinada ao mercado brasileiro.

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Foto: divulgação