Mercenário brasileiro revela horrores da guerra Rússia x Ucrânia
Ex-integrante do Exército Brasileiro e da Legião Estrangeira Francesa, militar relata ataques constantes, avanço russo e cenário comparado ao filme "Mad Max"
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 24/07/2026 às 09:53 | Atualizado em: 24/07/2026 às 09:53
Um brasileiro que atua como combatente na guerra entre Rússia e Ucrânia descreveu os confrontos na linha de frente como um cenário de destruição e caos semelhante ao retratado no filme “Mad Max”. Identificado apenas como Soldado C, o militar concedeu entrevista à CNN Brasil e relatou a intensidade dos ataques, marcados por bombardeios ininterruptos, drones e ofensivas terrestres.
Segundo o combatente, as tropas ucranianas enfrentam uma pressão constante para manter suas posições, muitas vezes improvisadas em abrigos precários.
“Os soldados ucranianos tentam segurar suas posições, às vezes em tocas, como possível. Mas eles são fustigados o tempo todo. Atacados por artilharia, por morteiros e especialmente por drones”, afirmou.
O brasileiro relatou que, quando os russos identificam uma brecha na defesa ucraniana, iniciam ataques em larga escala utilizando diversos meios de transporte, incluindo motocicletas e quadriciclos.
“Eles atacam a pé, com quadriciclo, moto e tudo o que tiverem. Parece uma cena de ‘Mad Max'”, comparou.
Apesar do elevado número de baixas entre os militares russos, o combatente afirma que as ofensivas não cessam. Segundo ele, a estratégia conhecida entre os militares como “moedor de carne” consiste em enviar sucessivas ondas de soldados para conquistar posições, mesmo diante das perdas.
“Eles vêm em grande quantidade e aí a Ucrânia também reage. Aumenta a quantidade de drones, a quantidade de morteiros, de explosões. Muitos russos morrem nesse processo, mas eles mantêm a operação. Eles avançam. Eles não param”, disse.
Experiência militar
Aos 30 anos, Soldado C já integrou o Exército Brasileiro e também a Legião Estrangeira Francesa, onde recebeu treinamento para operações especiais. Há pouco mais de um ano na Ucrânia, ele afirma ter participado de diversas missões militares em diferentes países.
O brasileiro explicou que decidiu lutar ao lado das forças ucranianas tanto por considerar a invasão russa injustificável quanto por enxergar a atividade militar como sua profissão.
“Eu vim para a Ucrânia porque minha profissão é essa. Claro que tem também a injusta agressão da Rússia contra o país. Eu, não concordando com o motivo pelo qual a Rússia invadiu a Ucrânia e sendo essa minha profissão, pensei: por que não?”, declarou.
Zona de risco permanente
O combatente também descreveu a chamada “gray zone”, ou zona cinzenta, uma faixa de território onde nenhum dos lados exerce controle absoluto e onde os riscos são permanentes.
Segundo ele, o ambiente de combate é marcado por extrema imprevisibilidade, exigindo atenção constante devido à presença contínua de drones russos.
“O teatro de operações é dividido em linhas, mas na prática tudo é muito confuso. A chamada ‘gray zone’ e a linha zero são áreas contestadas. Você precisa estar atento o tempo todo, porque a ameaça de drone é constante”, explicou.
Na avaliação do militar, a Rússia mantém vantagem em capacidade material, o que permite vigilância permanente sobre as posições ucranianas.
“O russo consegue manter drones no ar o tempo todo, seja de vigilância, seja ofensivo. Então é difícil, muito difícil”, concluiu.
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Foto: Gabinete do Presidente da Ucrânia via EBC
