Tarcísio desmente Flávio Bolsonaro e abre nova crise na direita
Ataque de Flávio Bolsonaro a embaixadores contra o sistema eleitoral gera isolamento político, ação no TSE e críticas até de Tarcísio.
Publicado em: 23/07/2026 às 15:52 | Atualizado em: 23/07/2026 às 15:52
As recentes declarações do senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ), colocando sob suspeita o sistema eleitoral brasileiro durante um encontro com diplomatas estrangeiros, desencadearam uma onda de reações no cenário político e isolaram o parlamentar.
Além de virar alvo de uma ação protocolada pelo PT no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por desinformação, o discurso contra as urnas eletrônicas gerou duras críticas da oposição, provocou o repúdio de adversários do campo conservador e motivou o distanciamento imediato de importantes aliados, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O episódio ocorreu durante um evento promovido em Brasília pelo portal The Brazilian Report e pela agência Novo Selo, que reuniu cerca de quatro dezenas de representantes internacionais.
Na ocasião, Flávio insinuou que os equipamentos de votação brasileiros teriam a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic — citada em relatórios dos Estados Unidos sobre supostas irregularidades em pleitos na Venezuela — e solicitou o envio de uma grande missão de observadores estrangeiros para acompanhar as eleições.
A relação entre o sistema brasileiro e a empresa foi prontamente desmentida pela Justiça Eleitoral, que reiterou que o Brasil não utiliza urnas ou tecnologias fornecidas pela Smartmatic.
A reação da oposição foi imediata
A pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acionou o TSE contra Flávio Bolsonaro, seu irmão Eduardo e parlamentares aliados, acusando-os de promoverem uma campanha articulada de desinformação contra a credibilidade do processo eleitoral.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, comparou a postura do senador à estratégia adotada por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em julho de 2022, quando promoveu uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema de votação — ato que culminou na sua condenação e inelegibilidade decretada pela Justiça Eleitoral.
Aliados reagem
O movimento do pré-candidato do PL também gerou forte ruído dentro da própria direita. O governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), buscou marcar posição contrária e declarou abertamente sua confiança na integridade do processo eleitoral, afirmando que essa discussão “não vai levar a lugar nenhum”.
No mesmo tom, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o dirigente do partido Missão, Renan Santos, criticaram o uso da agenda diplomática para colocar em dúvida a segurança das urnas em vez de buscar a atração de investimentos e novos mercados para o país.
PL corre para apagar incêndio
Em contrapartida, integrantes da cúpula do PL tentaram minimizar os impactos políticos e jurídicos da reunião.
Lideranças partidárias, como o deputado Sóstenes Cavalcante e o senador Carlos Portinho, negaram qualquer risco de condenação no TSE e rebateram as acusações de ataque à democracia.
Segundo a bancada do partido, a defesa de mudanças no modelo de votação e o pedido por reforço na observação internacional representam apenas uma pauta de aprimoramento do sistema democrático, sem qualquer intenção de descredibilizar o pleito.
Leia mais no Valor
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
