Fake news de Flávio Bolsonaro sobre urnas repercutem mal no TSE

Declarações do candidato da extrema direita a embaixadores repercutem posição dos EUA e relembram caso que levou seu pai à inelegibilidade

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 22/07/2026 às 11:46 | Atualizado em: 22/07/2026 às 11:46

O senador e pré-candidato à Presidência da extrema direita Flávio Bolsonaro (PL) repetiu neste dia 21 de julho a tática de seu pai na eleição de 2022 e propagou informações falsas sobre as urnas eletrônicas durante um encontro com dezenas de representantes diplomáticos estrangeiros, o que gerou forte repercussão no TSE.

O episódio tem feito ministros da Justiça eleitoral resgatarem precedentes recentes de punições relacionadas a ataques ao sistema de urnas da votação, indicando que o filho de Bolsonaro pode estar trilhando o mesmo caminho que levou à inelegibilidade do pai.

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As fake news de Flávio

Durante a reunião com os embaixadores, Flávio citou alegações que já foram desmentidas pela justiça eleitoral, fazendo um paralelo entre as eleições na Venezuela e a participação da empresa Smartmatic, de modo a tentar semear dúvidas sobre o sistema de votação do Brasil.

Em resposta às falas, a própria corte já havia contestado as afirmações, desmentindo o senador usando o mesmo texto com o qual contestou seu pai em 2022, reafirmando que a empresa citada jamais forneceu urnas eletrônicas para a Justiça eleitoral brasileira.

No TSE, a situação fez com que ministros recordassem o julgamento que cassou o mandato do deputado estadual Fernando Francischini em 2021, considerado histórico por ser a primeira condenação eleitoral motivada pela disseminação de desinformação contra o sistema eletrônico.

Esse parlamentar perdeu o mandato e ficou inelegível por oito anos.

Além disso, o cenário é visto como um paralelo evidente com a própria reunião de Bolsonaro com embaixadores em 2022, que culminou com sua condenação pelo tribunal, tornando-o inelegível até 2030.

Negação inócua

Em resposta às repercussões, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro negou em notas sucessivas que o senador tenha questionado a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

Contudo, as declarações e a repetição do roteiro paterno acendem o alerta sobre os riscos jurídicos de sua pré-candidatura e a possibilidade de sofrer sanções por parte da Justiça eleitoral.

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Foto: divulgação