Calor e vazante pressionam saúde pública em Manaus no início do verão
Altas temperaturas e a estiagem aumentam as notificações de atingidos pelas síndromes respiratórias.
Publicado em: 20/07/2026 às 11:37 | Atualizado em: 20/07/2026 às 13:40
Com a consolidação do verão amazônico a partir deste mês de julho, Manaus volta a enfrentar a combinação de altas temperaturas, queda no volume dos rios e um aumento na incidência de problemas de saúde associados à transição climática.
A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para este trimestre sinaliza chuvas abaixo da média e temperaturas no Amazonas de pelo menos 1° C acima do esperado para a época.
O cenário ganha complexidade com o alerta do Serviço Geológico do Brasil (SGB) para o ritmo de descida das calhas dos rios Solimões e Negro, indicando a possibilidade de uma estiagem de intensidade severa neste segundo semestre.
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Média de temperaturas e o rigor do verão
Entre julho e outubro, período marcado pela redução drástica das chuvas e pela menor nebulosidade, Manaus registra habitualmente suas marcas térmicas mais elevadas do ano.
Médias térmicas históricas e projeção
- Mínimas médias: 24°C a 25°C (madrugadas e início da manhã)- Máximas médias: 33°C a 35°C (picos de calor à tarde)- Sensação térmica: 38°C a 40°C (devido à alta umidade e abafamento urbano)Fonte: Inmet
Para este trimestre, no entanto, os modelos do Inmet apontam que os termômetros da capital devem operar consistentemente acima dessas médias históricas, aproximando-se com maior frequência dos picos de 36°C a 38°C entre os meses de agosto e setembro.
Alerta de severidade
O avanço do período seco sem intervalo suficiente para a recuperação completa das bacias hidrográficas acende o sinal de alerta para a logística dos rios e a qualidade do ar, fatores que impactam diretamente a rotina e o bem-estar urbano.
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Avanço de síndromes respiratórias
A transição entre o período chuvoso e a estiagem traz reflexos diretos na rede de assistência de Manaus.
Segundo dados do painel epidemiológico de vírus respiratórios da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), o estado já acumula mais de 2,5 mil notificações de síndrome respiratória aguda grave (Srag) neste ano.
| Indicador | Situação / dados FVS |
| Concentração na capital | Manaus lidera o número de ocorrências, somando a maior parte das notificações estaduais |
| Principais agentes | Vírus sincicial respiratório, influenza e outros vírus respiratórios |
| Perfil dos afetados | Maior incidência em crianças pequenas e idosos |
| Fatores de risco | Amplitude térmica, baixa umidade e poeira suspensa no ar |
As autoridades sanitárias apontam que as oscilações térmicas aliadas à poeira e à eventual dispersão de fumaça pelas queimadas regionais intensificam crises de asma, bronquite e quadros graves de infecção pulmonar.
A FVS reforça a necessidade de atualização da carteira de vacinação (contra influenza e covid-19) e a adoção de cuidados com a hidratação contínua, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
