Pesquisa Quaest: melhora de Lula pode impulsionar Omar Aziz

Recuperação do presidente abre debate sobre possível reflexo na disputa pelo Governo do Amazonas, onde pesquisa com cruzamento de votos aponta forte conexão entre eleitorado lulista e candidatura de Omar.

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amzonas

Publicado em: 15/07/2026 às 07:11 | Atualizado em: 15/07/2026 às 07:11

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) trouxe um dado que pode repercutir muito além de Brasília. Pela primeira vez em um ano, a aprovação do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superou numericamente a desaprovação, ao mesmo tempo em que o presidente ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial.

Segundo o levantamento, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% de Flávio Bolsonaro, além de registrar 48% de aprovação ao governo, ante 47% de desaprovação. É a primeira inversão desse indicador desde julho de 2025.

Embora a pesquisa tenha abrangência nacional, seus efeitos políticos podem alcançar estados onde a disputa local está diretamente ligada à polarização entre lulismo e bolsonarismo. O Amazonas é um desses casos.

Omar pode ser o principal beneficiado

Até agora, apenas uma pesquisa eleitoral no Amazonas buscou medir a relação entre o voto para presidente e a escolha para governador.

O levantamento da DMP, divulgado em 3 de julho, mostra que 48,1% dos eleitores amazonenses declaravam voto em Lula, enquanto 35,4% optavam por Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

Na mesma pesquisa, Omar Aziz liderava a corrida pelo Governo do Amazonas com 33,9%, à frente de David Almeida (19,8%), Roberto Cidade (19,2%) e Maria do Carmo (18,3%).

Mais importante que isso, porém, foi o cruzamento entre os votos para presidente e governador.

Na página 26 do levantamento da DMP (slide 26), o instituto conclui que existe uma forte associação entre o eleitorado de Lula e a candidatura de Omar Aziz, indicando que parte significativa dos votos do presidente no estado tende a convergir para o senador na disputa estadual.

Essa correlação ajuda a explicar por que Omar aparece liderando especialmente no interior do Amazonas, região onde Lula também apresenta desempenho mais robusto.

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Direita pode enfrentar novo desafio

Se a melhora de Lula tende a favorecer Omar, o mesmo raciocínio pode representar um obstáculo adicional para os candidatos situados no campo da direita.

Hoje, esse espaço é disputado principalmente por Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União Brasil).

A nova Quaest mostra Flávio Bolsonaro perdendo terreno justamente no momento em que o PL aposta em sua candidatura para nacionalizar o discurso conservador.

Isso não significa, automaticamente, perda de votos para Maria do Carmo ou Roberto Cidade.

As eleições estaduais possuem dinâmica própria, lideranças regionais e fatores locais frequentemente mais decisivos que a disputa presidencial.

Entretanto, um ambiente nacional mais favorável ao presidente pode reduzir o efeito da transferência de votos da candidatura presidencial da direita para seus aliados estaduais, sobretudo se a tendência observada pela Quaest se consolidar nas próximas semanas.

Interior pode ampliar vantagem

A pesquisa da DMP revelou outro dado relevante.

No interior do Amazonas, Omar alcançava 42,8%, enquanto Roberto Cidade tinha 17% e Maria do Carmo 13%. No mesmo segmento, Lula aparecia com 61,9%, contra 28,1% de Flávio Bolsonaro.

Os números sugerem que a força eleitoral de Lula e Omar ocorre, em boa medida, sobre a mesma base geográfica.

Caso a recuperação da popularidade presidencial continue até o período oficial da campanha, Omar poderá encontrar um ambiente ainda mais favorável nas regiões onde já possui vantagem consolidada.

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