O que tirou Marcelo Ramos da disputa eleitoral pelo senado?

Lúcio Carril critica a atuação da direção nacional do PT nas decisões do Amazonas e afirma que o caso Marcelo Ramos repete episódios anteriores de intervenção partidária.

PT define Marcelo Ramos, e Lula terá dois candidatos ao Senado no Amazonas

Por Lúcio Carril*

Publicado em: 14/07/2026 às 13:42 | Atualizado em: 14/07/2026 às 13:42

A direção nacional do PT repete com Marcelo Ramos o que fez com Praciano.

Em 2018, Praciano seria eleito senador, mas foi jogado para escanteio. Agora, Marcelo iria disputar o senado com grande possibilidade de eleição. Novamente, a direção nacional do partido enterrou esse projeto.

O PT do Amazonas vem tendo muito problema com a direção nacional.

Teve um ano que o deputado Sinésio Campos foi escolhido para ser candidato a prefeito de Manaus. Foi tirado na marra pela direção nacional. O ex-senador João Pedro foi eleito pelo partido para ser vice na chapa de Eduardo Braga. Foi tirado na marra pela presidente nacional do PT.

Não se trata de posição estratégica do jogo político-eleitoral. O que existe nisso é um enorme preconceito com a Amazônia. O olhar da direção nacional do partido, majoritariamente composta por gente do sudeste (leia-se, São Paulo) é de bandeirantes.

Os dirigentes ainda pensam que podem entrar, capturar indígenas e mantê-los sob cativeiro. A Amazônia e os povos que aqui vivem ainda sofrem com a prática colonialista do sul. Não se trata de uma visão regionalista, mas de história.

A direção nacional do PT é colonialista, quando se trata da Amazônia. Não ouve a militância, não respeita as decisões da instância partidária estadual. O Amazonas é apenas uma moeda de troca.

Quanto à pressão política do senador Eduardo Braga para tirar Marcelo da disputa eleitoral, já era de se esperar.

Não existe justificativa eleitoral, já que serão eleitos dois senadores este ano. Marcelo não tiraria voto de Eduardo. A pressão do senador de direita tem viés político e ideológico.

Marcelo é um quadro político preparadíssimo. Um dos melhores do Amazonas e do Brasil. É jovem. Tem grande capacidade de articulação e de se comunicar com o povo. Mesmo sem mandato ou cargo público, vinha crescendo nas pesquisas de opinião. Seria um nome com viabilidade eleitoral.

A perseguição do Eduardo Braga para cassar a candidatura do Marcelo Ramos é ideológica.

Marcelo é do campo de esquerda e o senador é de direita, votou pela cassação da presidente Dilma, teme sua ascensão. Marcelo não tem história suja e apresentaria para a sociedade uma possibilidade da ação política com ética e honestidade. Isso incomoda quem faz política pensando no seu bolso. No bolso de quem é roubado para encher o bolso de quem rouba dinheiro público.

A ação traiçoeira de Eduardo Braga para tirar Marcelo Ramos da disputa eleitoral pode ir além do viés ideológico. Pode ter acordo sujo para beneficiar uma candidatura da extrema-direita. Desse indivíduo tudo é possível. Ele não tem qualidades humanas como ética, empatia e moral.

Felizmente, temos outros nomes do campo democrático e popular para votar para o senado. O voto consciente jamais será dado a quem tem história sórdida e rasteja na lama podre da desonestidade.

O autor é sociólogo.*

Foto: Pablo Brandão/PT/divulgação.