Grupo de Cidade e Lima deve manter comando da ALE-AM após eleição extra

Felipe Souza e Carlinhos Bessa, que chegaram a ser cogitados como possíveis adversários, declaram apoio a Adjuto Afonso, que afirma já contar com 16 a 17 votos para permanecer na presidência da Assembleia Legislativa

Grupo de Cidade e Lima deve manter comando da ALE-AM após eleição extra

Neuton Corrêa, da aRedação do BNC Amazonas

Publicado em: 14/07/2026 às 08:05 | Atualizado em: 14/07/2026 às 08:07

A eleição extraordinária da ALE-AM marcada para esta quarta-feira (15) tende a confirmar a permanência do grupo político liderado pelo governador Roberto Cidade (União Brasil) e pelo ex-governador Wilson Lima (União Brasil) no comando da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

A articulação conduzida desde a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), consolidou apoio suficiente para que o atual presidente, Adjuto Afonso (União Brasil), seja eleito para concluir o mandato restante da Mesa Diretora.

Em conversa com o BNC Amazonas na madrugada desta terça-feira (14), Adjuto afirmou que o cenário hoje é de unidade entre os parlamentares que integram a base governista.

“Todo o nosso grupo está unido.”

Questionado sobre quantos deputados já estariam fechados com sua candidatura, respondeu:

“Em torno de 16 a 17. Mas ainda estamos conversando com os demais.”

Felipe Souza e Carlinhos Bessa deixam de ser alternativa

O dado político mais relevante das últimas horas é justamente a adesão de dois deputados que, desde a decisão do STF, apareciam nos bastidores como possíveis candidatos à presidência da Casa.

Perguntado pelo BNC quais foram os apoios mais importantes conquistados desde a última sexta-feira (10), Adjuto respondeu sem hesitar:

“Carlinhos Bessa e Felipe Souza.”

Os dois parlamentares eram apontados por colegas como nomes capazes de construir uma candidatura alternativa caso houvesse divisão dentro da base governista. A decisão de ambos em apoiar Adjuto praticamente elimina a possibilidade de uma disputa competitiva pela presidência da ALE-AM.

Com isso, a tendência é de que a eleição extraordinária ocorra mais para cumprir a determinação judicial do que para promover uma mudança no comando político do Parlamento.

Decisão do STF reabriu a discussão

A necessidade de uma nova eleição surgiu após decisão do ministro Flávio Dino, que acolheu ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Solidariedade.

O ministro suspendeu a regra que havia permitido a Adjuto Afonso permanecer automaticamente na presidência da Assembleia quando Roberto Cidade deixou o cargo para assumir o Governo do Amazonas, após a renúncia simultânea de Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza.

Na avaliação do STF, a sucessão automática contrariou o procedimento previsto para a escolha da Mesa Diretora, tornando necessária a realização de uma eleição específica para preencher o cargo.

A decisão reabriu os bastidores da política estadual e levou parlamentares a cogitarem que a votação poderia alterar a correlação de forças construída desde a chegada de Roberto Cidade ao comando do Executivo.

Cenário mudou em poucos dias

Na sexta-feira, quando a decisão de Flávio Dino veio a público, deputados ouvidos reservadamente avaliavam que Felipe Souza e Carlinhos Bessa reuniam condições políticas para disputar a presidência.

O BNC Amazonas mostrou que a eleição poderia representar uma reacomodação das forças internas da Assembleia, justamente porque a escolha passaria novamente pelo voto dos deputados.

No entanto, a articulação conduzida pelo grupo de Roberto Cidade avançou rapidamente.

Na segunda-feira (13), a Assembleia conseguiu reunir o quórum qualificado necessário para convocar sessão extraordinária durante o recesso parlamentar, atendendo à determinação do STF e sinalizando que a maioria permanecia alinhada ao atual presidente.

Agora, com a declaração pública de apoio de Felipe Souza e Carlinhos Bessa, a tendência é que Adjuto Afonso seja eleito com ampla margem.

Vitória reforça grupo político

Caso o cenário projetado se confirme, a eleição extraordinária produzirá uma mudança apenas do ponto de vista jurídico.

Politicamente, o grupo formado por Roberto Cidade e Wilson Lima continuará controlando a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.

A vitória também representará mais uma demonstração da capacidade de articulação da base governista, que conseguiu neutralizar uma disputa interna poucos dias depois de a decisão do STF abrir espaço para novas candidaturas.

Ao final, a eleição determinada por Flávio Dino deverá servir para conferir legitimidade formal a uma composição política que, na prática, já se mantém majoritária dentro da ALE-AM.

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Foto: divulgação