União Brasil lança Cidade a governador atirando em Omar Aziz
Wilson Lima fala de Maus Caminhos e diz que Ronda no Bairro foi o pior programa de segurança pública do Amazonas. Cidade também partiu para ofensiva
Neuton Corrêa e Ana Oliveira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 07/07/2026 às 21:28 | Atualizado em: 07/07/2026 às 21:28
O União Brasil lançou, na tarde desta terça-feira (7), na sede do partido em Manaus, a pré-candidatura do governador Roberto Cidade à reeleição com um alvo definido: Omar Aziz (PSD).
Um dia depois de Omar e Eduardo Braga (MDB) abrirem uma ofensiva contra o grupo que governa o Amazonas, Wilson Lima e Roberto Cidade responderam no mesmo tom. O ato político, com presença de deputado federal, deputados estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças sem mandato, foi menos uma cerimônia de lançamento e mais uma declaração de guerra eleitoral.
Wilson Lima, pré-candidato ao Senado, fez o discurso mais duro. Defendeu seu legado, apresentou números da saúde, da segurança, da economia e mirou dois pontos sensíveis da trajetória de Omar: a Operação Maus Caminhos e o Ronda nos Bairros.
“Senador, o processo da Maus Caminhos está adormecido na Justiça, mas ele está muito presente na mente das pessoas. Nós não vamos voltar ao passado”, afirmou Wilson.
Pior programa de segurança do Amazonas
Na segurança, Wilson reagiu à promessa de Omar de retomar o Ronda nos Bairros em versão ampliada. Para ele, o programa virou símbolo negativo.
“O Ronda nos Bairros foi o pior programa de segurança pública da história do Estado”, disse. Em seguida, afirmou que, naquele período, houve a primeira greve da Polícia Militar e que os policiais atuavam sem estrutura adequada.
Wilson contrapôs o Ronda às ações de sua gestão, citando as bases Arpão, lanchas blindadas, Paredão, Recupera Fone, concursos públicos e combate ao tráfico na Rota Solimões.
O ex-governador também enquadrou a disputa como confronto entre “velha política” e um grupo que se apresenta como novo. Disse que os adversários agem com mentira, ameaça, arrogância e prepotência.
Senador que age como ministro do STF e policial
Roberto Cidade seguiu a mesma linha. Em um dos trechos mais fortes, acusou Omar, sem citá-lo nominalmente, de usar influência política como se tivesse poder sobre instituições.
“Tem político que é senador, mas age como ministro do STF, age como superintendente da Polícia Federal e diz que vai prender todo mundo. Vai prender nada, porque aqui só tem homem de bem”, afirmou.
Cidade disse que não vai “arregar um passo para trás” e que está pronto para enfrentar a campanha. Ao mesmo tempo, tentou sustentar a imagem de político do diálogo, dizendo que responderá aos ataques com trabalho, amor e respeito.
O governador também defendeu Wilson Lima. Disse que o ex-governador foi o mais atacado pela “velha política” e que, ao deixar o governo, não interferiu em sua gestão.
“Desde quando eu assumi o governo, o Wilson Lima me deixou à vontade. Não recebi uma ligação sequer se intrometendo no governo”, afirmou.
No discurso, Cidade prometeu apresentar no plano de governo propostas para gerar emprego, criar novas matrizes econômicas e preparar o Amazonas para o futuro. Citou gás, potássio, Codam, segurança, saúde e educação.
O lançamento confirmou o movimento que já vinha sendo preparado pelo União Brasil. Na véspera, o BNC Amazonas havia antecipado que Cidade lançaria a candidatura à reeleição na sede do partido e que os discursos seriam uma resposta direta à ofensiva de Omar e Braga.
Escalada da campanha
Na prática, a campanha entrou em nova fase. Omar e Braga escolheram Wilson e Cidade como alvos preferenciais. Wilson e Cidade aceitaram o confronto e devolveram o ataque mirando Omar.
A eleição para o governo do Amazonas começa, assim, a ganhar contornos de polarização entre dois campos: de um lado, Omar Aziz e Eduardo Braga; de outro, Roberto Cidade e Wilson Lima.
O discurso do União foi claro: apresentar Cidade como continuidade administrativa, mas também como ruptura política. Jovem, do interior, com trajetória na Assembleia e agora no governo, ele foi exibido como contraponto aos “caciques”.
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Foto: BNC Amazonas
