Brasil encara o Japão do futebol que nasceu de política de Estado
Planejamento de longo prazo transformou o país em referência de gestão esportiva e presença constante nas Copas do Mundo
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 29/06/2026 às 09:04 | Atualizado em: 29/06/2026 às 09:04
Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira (29 de junho), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, em um duelo que também evidencia modelos distintos de gestão esportiva. Enquanto a seleção japonesa é resultado de décadas de planejamento estratégico e políticas de Estado, o Brasil ainda não possui uma estratégia nacional de longo prazo para o futebol.
A transformação japonesa começou no fim dos anos 1980, quando a Associação Japonesa de Futebol (JFA), em parceria com o governo, empresas e escolas, estruturou um sistema permanente de desenvolvimento consolidado no documento JFA 100 Year Vision, com metas até 2050.
Política de Estado
A criação da J.League, em 1993, deu início à execução do projeto. Os clubes passaram a investir obrigatoriamente nas categorias de base e no desenvolvimento regional, inserindo o futebol em uma estratégia de desenvolvimento social e econômico.
Para acelerar a profissionalização, o Japão também buscou conhecimento no Brasil. Zico liderou esse processo, seguido por jogadores, técnicos e preparadores físicos brasileiros.
Paralelamente, o país consolidou um modelo próprio de gestão que garantiu presença contínua em Copas do Mundo desde 1998.
Contraste com o Brasil
O confronto desta segunda-feira também coloca em evidência a diferença entre os dois modelos.
Enquanto o Japão mantém uma política contínua para o desenvolvimento do futebol, o debate brasileiro permanece concentrado em temas como SAFs e apostas esportivas, sem um planejamento nacional articulado entre União, estados e municípios.
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Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP
