Para segurar rede, passageiros rumo a Parintins pernoitam nos barcos

A viagem fluvial para Parintins não deixa de ser uma aventura nesta época do ano

Para segurar rede, passageiros rumo a Parintins pernoitam nos barcos

Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 24/06/2026 às 13:03 | Atualizado em: 24/06/2026 às 13:03

Passageiros fluviais que saem de Manaus para Parintins, a partir das 11h deste dia 24 de junho, Dia de São João, estão com redes atadas nos barcos e ferries-boats, desde às 8h de ontem.

Na balsa Amarela, um dos pontos de embarque do porto regional Manaus Moderna, centenas de pessoas se aglomeraram com ao menos três horas de antecedência da partida das lanchas “a jato”, marcada para às 4h.

A viagem até Parintins nesse tipo de embarcação dura, em média, sete horas, e os passageiros são acomodados em poltronas não numeradas, o que motiva a disputa pelas “melhores acomodações”.

Centenas de passageiros barcos e ferries-boats, inclusive, optaram por dormir nas embarcações com receio de perder as festas que antecedem às apresentações de Garantido e Caprichoso, que acontecerão na sexta-feira, no sábado e no domingo.

Há embarcações que não permitiram o pernoite, mas liberaram a colocação das redes como marcadoras dos lugares.

As passagens nas duas modalidades de embarcações “de linha” estão esgotadas desde a semana passada.

O barco Cidade de Oriximiná, por exemplo, pernoitou com a maior parte dos seus 718 passageiros a bordo.

Assim, as chances de embarque sem bilhete comprado com antecedência é quase zero, principalmente porque a fiscalização da Marinha para reprimir a superlotação de passageiros e cargas é rigorosa.

A conferência dos passageiros pela Marinha é feita próxima a Manaus e, também, no decorrer do trajeto. Medida evita que haja embarque clandestinos com a ajuda de embarcações menores.

Mesmo assim, não é incomum o flagrante de barcos que descumprem as regras de segurança da navegação.

Quem é frequentador do festival de Parintins é capaz de arriscar uma viagem no porão dos barcos, conforme flagras anteriores atestados pela Marinha na quadra do festival parintinense.

Aventura

A viagem fluvial para Parintins não deixa de ser uma aventura nesta época do ano. Quem arma as redes e dorme nos barcos deve dispor de ao menos 44 horas, a soma de 28 horas de “espera dedicada” até o embarque e mais 16 horas da viagem até o destino.

Para quem não comprou as passagens da viagem de volta, que começa a partir da madrugada do último dia dos espetáculos de Caprichoso e Garantido, pode ficar retido em Parintins por até duas semanas, em razão da lotação antecipada das embarcações de linha.

As viagens entre Parintins e Manaus, na contra-correnteza do rio Amazonas, duram, em média, 25 horas, nos barcos e ferries-boats, e dez horas nas lanchas “a jato”.

Fugidos

Não são poucas as pessoas que correm das entrevistas porque estão “matando o trabalho” e temem aparecer na mídia e perder o emprego.

“Diz aí que vou de ‘atestado médico’, porque nunca perdi um festival, mas não quero ser demitido por flagra nas redes sociais”, disse um passageiro que se identificou como funcionário público.

Joélcia Lima, por sua vez, preferiu compatibilizar as férias com as datas do festival, por ter sido demitida, há dois anos, por ausência no trabalho. “Não quero mais arriscar”, disse.

Ela afirmou que “hoje mesmo participará da ladainha do boi Garantido, no curral tradicional da baixa da Xanda, reduto vermelho em Parintins.

Suelen Santos revelou que chegou com três horas de antecipação com medo do provável engarrafamento na avenida Lourenço Braga, a do porto da Manaus Moderna.

“Resolvi chegar cedo para fazer as coisas com calma e evitar dor de cabeça”.

Ela é “marinheira de primeira viagem” do festival.

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Foto: Wilson Nogueira/especial para o BNC Amazonas